Short story

    His rifle never failed him. He had ended many parties in town and once — the
    case was notorious — he put the sheriff and five officers to run. Stories of his bravery
    had made him a legend and he was respect by every body.

    Peregrino Júnior

    His rifle never failed him. He had ended many parties in town and once — the
    case was notorious — he put the sheriff and five officers to run. Stories of his bravery
    had made him a legend and he was respect by every body.

    Peregrino Júnior

    UM CABRA DISPOSTO

    — Ó coisa ruim pra eu achar boa!

    Fazendo uma careta de nojo, Canuto emborca o copo sem pestanejar, engolindo a cachaça de um trago. Não sabia fazer
    nada sem primeiro “matar o bicho”. Foi um costume que ele trouxe do Ceará — e nunca mais se apartou dele. A cachaça tinha
    para Canuto, todas as utilidades: abrandava o calor nos dias quentes de bochorno; espertava a lombeira nas noites ásperas de
    friagem. Dor de cabeça e caruara, era com cachaça que ele curava. Com cachaça resolvia, também, complicações e dificuldades. E,
    ao tomar o seu trago, nunca deixava de repetir aquela careta e aquela frase:

    — Ó coisa ruim pra eu achar boa!

    Cabra tuíra, de cabelo bagacento e olhos verdes, Canuto tinha um jeito despachado de “branco da Bahia”. Era homem
    de poucas palavras, mas sabia dar o seu recado. Disposto e mau, não tinha medo de caretas. Nem levava desaforos para
    casa. Regatões e seringueiros, canoeiros e pescadores, todos, naquelas beiradas de rio, conheciam a sua fama de valentão.

    Logo que chegou do Ceará, fez estrupícios baitas naqueles mundos de
    seringal. Com ele ninguém contava lambança. Cresceu pra banda dele, já
    sabia, — Canuto comia o bicho na ponta da lambedeira. Bom escopeteiro,
    o seu rifle não negava fogo. Desmanchou muito forró a cacete, na
    cidade, e uma vez — o caso era notório — deu uma carreira no delegado
    e mais cinco praças de polícia. Essa lenda de valentia, que correu
    ligeira todas aquelas redondezas de igarapé, criou para ele um largo
    prestígio de temor, assegurando-lhe a consideração e o respeito de toda
    gente.

    Quando Canuto se casou com a Raimunda Conceição, filha do pagé Possidônio, todo mundo se espantou da coragem dela!

    — Mulher de topete! Não tem sobrosso de casar com um estuporado daqueles!

    A tropa teve pena do couro dela, antevendo as coças valentes que Canuto lhe havia de dar quando estivesse nos seus azeites.

    Outros explicavam com malícia a psicologia da escolha.

    — Mulher é assim mesmo: só gosta de homem que lhe coce o couro…

    Canuto dava-lhe de vez em quando um tapa-olho, para ela
    conhecer-lhe o peso do braço… E trazia ela num cortado. Trastejou,
    era na certa, — o pau roncava. Exemplava Raimunda pelos motivos mais
    à-toas. Não admitia que ela desse confiança a ninguém.

    — Mulher enxerida, comigo é na peia!

    Mas gostava da sua cabocla — e pulou de contente quando ela ficou de barriga.

    Buchada, pesada, redonda, Raimunda ficou mais feia. Entretanto, foi
    quando ele achou ela mais bonita. Queria ter um filho, e andava nas
    suas sete quinas. Até parecia ter visto passarinho verde! E depois que
    ela descansou, nunca mais lhe pôs a mão em cima. Mudou por completo!
    Ficou manso que nem um cordeiro! Só vivia para a cunhatã que nasceu.
    Botou na menina o nome da mulher, e, cheio de quindins, não tirava a
    pirralha do quarto. Amoleceu, o diabo do homem, com o nascimento da
    cunhatã! A menina fazia dele gato e sapato. Mal ela choramingava, ele
    lamentava:

    — Coitada da chicuta, quer mamar!…

    Todos os seus cuidados eram para ela. A vizinhança estava espantada.

    — Quem havera de dizer que seu Canuto fosse um homem de tão bom coração!

    Do ferrabrás que ele fora, não restava mais senão
    uma vaga recordação. O fato era comentado com certa mágoa
    nas redondezas, porque a população local tinha orgulho da valentia e da disposição daquele homem brabo cuaw6kx destemperos
    temia, mas admirava.

    Canuto, porém, nunca mais quis saber de pirilampada, nem de estrepolias. Era o homem da família; vivia para a sua
    cabocla e a sua cunhatã.

    A CUNHATÀ

    Logo que a menina nasceu, todo cheio de zelos pela filha, Canuto tratou de mandar benzê-la. Chamou o sogro, o
    pagé Possidônio, e pediu a ele que, por via das dúvidas, curasse a menina de doenças, de cobras e de outros bichos malignos.

    — Estes matos tem tantos bichos malignos, seu Possidônio! É preciso benzer a cunhatã.

    Seu Possidônio não teve dúvidas. Pegou uma cobra, cortou-lhe a ponta da cauda e a cabeça com um terçado, e deu os
    dois pedaços à cunhatã pra comer. Depois, rezando baixinho, benzeu a neta:

    — Em nome da Virgem,

    Quebranto, mau-olhado,

    sai-te daqui!

    Que esta menina

    Não é pra ti!

    A cunhatã, criada com tipuca e mingau de banana, cedo começou a deitar corpo e a enfeitar. Canuto ficou desinquieto.
    Tinha ouvido o pagé Possidônio contar uma história de botos que pegavam donzelas, e não pôde deixar de ter um mau
    pensamento. Veio-lhe à mente, que nem um sonho ruim a imagem querida da filha…

    Esfregou os olhos, afastando o mau pensamento, acariciou com ternura a cunhatã que lhe veio assentar na perna, e
    advertiu Raimunda com voz grave.

    — Tenha cuidado com os botos que vadeiam aí no perau do igarapé, mulher!

    Raimunda, boa filha de pagé, sugeriu-lhe logo um remédio:

    — Se está com medo que eles peguem a cunhatã, é melhor arranjar logo um couro de jurutaí!

    — Couro de jurutaí, pra que, sinhá Raimunda?

    — É o pássaro mal-assombrado que livra as donzelas das artes do boto.

    — E livra mesmo, mulher?

    — Dizquê!

    Ele não teve mais sossego enquanto não arranjou o pássaro-fantasma que preserva as donzelas de seduções e faltas…
    matou a ave, tirou-lhe o couro e botou-o no terreiro pra secar. Depois, o entregou a Raimunda, para que assentasse a cunhatã em
    riba dele, quando ela ficasse “de paquete”, nos três primeiros dias da puberdade… Além disto, varreu o chão da barraca com as
    penas da cauda do jurutaí. Mas só ficou tranqüilo no dia que Raimunda lhe fez a comunicação importante:

    — A cunhatã está “curada”!

    Suspirou, aliviado: a filha do seu coração estava afinal salva da tentação e do pecado. Não tinha mais medo do boto…

    TOTONHO CHEIRA

    SOVACO DE MOÇA

    Empregado de um regatão que arranchava de quando em vez na beira do igarapé, Antônio Condeixa era um curumim
    já taludo, mas guenzo e malajambrado, que andava sempre enfarpelado numas roupinhas jiquis. Apesar de feio e enjoado,
    era metido a sebo. Enxerido que só ele. Desadorado por um rabo de saia, as cunhãs da beira do rio conheciam todas as suas
    manhas de coió sem sorte. Suas farabambas de contador de lambança irritavam toda gente. E como ele era amarelo que só tauá,
    lhe

    botaram o apelido de Totonho Cheira Sovaco de Moça. Os pais de família implicavam com ele, e as cunhatãs caçoavam das
    suas roupas jiquis e das suas prosas de contador de lorota. Ninguém o levava a sério.

    — Um potoqueiro chué, esse Condeixa do Regatão!

    — Nunca vi tipo mais emproado!

    — É saído que só ele mesmo!

    — O traste!

    — Antipático e enjoado!

    Um dia, tendo a galeota do regatão atracado na ponta da barranca de Canuto, Totonho Cheira Sovaco de Moça mal pôs
    os olhos em cima de Conceição, se engraçou logo da cunhatã.

    — Achi, qui curiboca desadorada de bonita! Os olhos dela chega encadeiar a gente!…

    E deitou uns olhares dengosos pra Conceição.

    Mas a menina, ainda muito gita, pois mal entrara na casa dos vinte anos, não deu confiança ao potoqueiro do Condeixa,
    de quem toda gente mangava. Olhou-o até com desprezo.

    — Achi! Não s’enxerga, enxerido!

    — Que cara zangada, soco!

    — Ora, me deixa, xodó!

    Antônio Condeixa não desanimou. Nem arrepiou carreira. Toda vez que arranjava pretexto, dava um salto na barraca
    de Canuto. E ultimamente já chegava até a fazer propostas a Conceição.

    — Se você quisesse casar comigo, meu bem, eu era o homem mais feliz deste mundo!

    Conceição dava um muxoxo:

    — Vôote! Era só o que faltava — Não s’enxerga, enxerido? !…

    Mas sorria, sem raiva.

    O MOCÓ

    Antônio Condeixa estava mesmo embeiçado por ela. Rabicho do bom.
    Não tirava o pensamento de cima da cabocla. Embora temendo Canuto, cuja
    fama de valentão ainda inquietava aqueles cafundós de igarapé, ele
    apertava o cerco… E, para ajudar a amolecer o coração da cunhatã
    tratou logo de arranjar um “mocó”. Matou um pavãozinho do mato numa
    sexta-feira, enterrou ele numa encruzilhada e esperou que a terra lhe
    comesse a carne. Passados uns tempos, então, à meia-noite de outra
    sexta-feira, foi lá na encruzilhada e desenterrou os ossinhos do bicho,
    que atirou no igarapé. A correnteza carregou todos os ossos menos um,
    que ficou de bubuia. E esse ossinho era o “mocó”. De posse dele,
    Antônio Condeixa adquiriu a certeza de que havia de ser dono do coração
    de Conceição — e criou mais coragem. Não há nada como a confiança para
    dar audácia. E em coisas de mulher, um pouco de audácia é meio caminho
    andado.

    Uma tarde, passando na montaria pela ponte da barraca de Canuto, ele deu com os olhos em Conceição, que estava
    apanhando flores de mururé nos periantãs da barraca. Como ia sozinho e não viu ninguém com ela, abicou a montaria no tijuco e,
    pulando por cima das canaranas, ganhou a ribanceira e largou-se atrás da moça.

    — Que está fazendo aqui, minha nega?

    — O que não é da sua conta!

    — Então, é assim que você fala com o seu xodó?

    — Achi! que confiança são essas?

    Ele lembrou-se que trazia no bolso o seu “mocó” — e criou ânimo.

    — Se você soubesse como eu lhe quero bem, Conceição, você seria capaz de acabar gostando de mim!…

    E tentou agarrá-la pela cintura.

    — Me larga “seu” Antonho, senão eu grito!

    Antônio Condeixa, sentindo frouxa a resistência da cunhatã,
    insistiu na atitude e apertou-a num afago, docemente, esmagando-lhe os
    peitinhos duros onde o coração pulava de emoção, contra os braços
    magros e enérgicos. Rubra de cólera súbita, querendo libertar-se das
    mãos brutais que a prendiam, Conceição atirou-se furiosa contra Antônio
    Condeixa, mordendo-o sem piedade.

    Diante da reação violenta da cunhatã que o mordera no pulso direito, deixando-lhe nas carnes as marcas ensangüentadas
    dos dentes pequeninos e afiados, ele recuou cheio de dor, com um grito rouco de onça acuada e ferida.

    — Que é isso, Conceição? Você me feriu!

    E tirando o lenço do bolso, começou a enxugar o sangue que lhe marejava a dentada do pulso.

    Espantada com o ferimento que produzira no rapaz, Conceição aproximou-se dele com pena:

    — Não foi por gosto não, bichinho! Foi sem querer… Está doendo muito ?

    — Não… foi nada não… Já passou…
    — Se você quiser me agarrar agora, eu deixo, bichinho!… Achi! está correndo tanto sangue! Você deixa eu dar um beijo aí,
    pra sarar?…

    Ele sorriu, meio surpreso, meio consolado, mas duvidando ainda.

    — Se você quiser… Mas não está doendo não!

    Ela sugou a ferida com os lábios, estancando o sangue que porejava. Depois amarrou-lhe o lenço no pulso. E sob
    o consentimento das primeiras estrelas, que se debruçavam no espelho preto do igarapé, no silêncio da tarde tranqüila, a
    mataria braba ouviu uma música suave de tucura…

    A mamorana, cujas touceiras cresciam à beira d’água, tocada pelo vento, fazia o seu típico rumor.

    — Vôote! É a voz da mãe da Mamorana…

    E benzeu-se.

    Raimunda, dando por falta dela, ficou cuíra.

    — Aonde anda você, minha chera?

    — Estou aqui na beira do rio, respondeu ela, que vinha vindo pra casa.

    — Toma tento com boto, cunhatã! Sai da ribanceira, anda! Vai fazer tua rede, que o perau do igarapé é a duas braças daí,
    e bicho do fundo d’água não caçoa!

    Essa noite foi de consumição pra cunhatã. Não tirava o Condeixa da cabeça. Passou a noite inteirinha em claro. Virava,
    mexia, e o sentido não saía dele. O pensamento grudado nele que nem pássaro em visgo.

    A CANOA DO DIVINO

    — Brebare-se bra festa do Difino, “seu” Andônio!

    Antônio Condeixa já conhecia a escrita: o patrão fantasiado de
    “Imperador”, ia dar uma batida naquelas bibocas. Embora toda gente o
    considerasse judeu, Miguel Jorge era católico — e do bom. Casado com
    brasileira, batizava todos os filhos na igreja e não perdia missa
    quando havia padre na cidade. Estava tão adaptado aos costumes do
    lugar, que era agora o organizador da Festa do Divino Espírito Santo.
    Havia quem atribuísse a iniciativa de Miguel Jorge a interesse
    subalterno.

    — Regatão não perde vaza!… diziam.

    Mas era devoção, ele fizera uma promessa ao Divino Espírito Santo
    quando o seu caçula fora picado de cobra. O pirralho sarara: ele nunca
    mais se esqueceu da promessa. Era homem de palavra, apesar de regatão.
    Também, viera pro Brasil tão gito, que já virara quase brasileiro. Só a
    fala é que ainda estava um pouco atravessada. Mas com o tempo is acabar
    falando direito.

    Um mês antes da festa, Miguel Jorge, tomando a frente da
    procissão, com o título decorativo de “Imperador”, em companhia de
    “Juízes”, “Mordomos” e devotos do Divino, metia-se dentro de três
    vastas canoas, todas empavesadas de bandeirolas brancas e encarnadas,
    — uma pomba simbólica pintada no centro e outras esculpidas nos
    mastros cheios de fitas e guirlandas — e lá começava a correr aqueles
    mundos de mato e água.

    Dois tambores, nas canoas, anunciavam a passagem do cortejo no silêncio verde dos igarapés e paranás, dos furos e rios,
    dos

    paranamirins e igapós.

    — Bum… Bum… Quitibum… Bum…

    As barraquinhas das margens se abriam, contentes, à passagem das
    “montarias do Divino”, e das pontes de atracação, repletas de homens,
    mulheres e crianças, que lhes acenavam com bandeiras e gestos de
    alegria, recebiam eles homenagens e esmolas!

    Nos sítios e rocinhas as montarias atracavam, e a mata acordava com o fragoído do fundunço. Eram festas de arromba,
    que reuniam povo de todas aquelas beiradas de rio.

    A barraca de Canuto daquela feita recebeu a visita do “Divino”. Juntou gente como beia para apreciar a festa. De todas
    as barracas das redondezas vieram devotos. Tropa era tanta, que até parecia putirum.

    A “Coroa do Divino”, que os festeiros conduziam na montaria da frente, dentro de uma bandeja de prata, toda enlaçada
    de fitas, foi levada prá barraca de Canuto.

    Miguel Jorge em pessoa carregava ela. Todos os presentes vinham beijá-la na mão dele. E o regatão, cumprindo à risca o
    ritual da festa do Divino, pousava-a um instantinho na cabeça de cada pessoa que a beijava. Em seguida, colocou-se a Coroa
    numa mesa no centro da sala, coberta com a colcha nova que Canuto comprara pra enfeitar a camarinha de Conceição. Quatro
    velas ficaram ardendo em volta dela, dia e noite.

    A barraca de Canuto, apesar de ser casa de pobre, estava com um ar festivo e importante. Sendo a pessoa mais
    conceituada e graúda das redondezas, ele acolhia com efusão os vizinhos e os conhecidos.

    — Vão entrando. Não tenham cerimônias. Façam de conta que estão em suas casas.

    Enquanto os portadores da Coroa descansavam e madornavam no copiar, a sala se agitava num alarido desadorado de festa.

    De noite, houve ladainha, tirada pelo próprio Canuto, que engrolava com dignidade eclesiástica um latinório divertido
    e pitoresco

    — Virgo predicanda…

    — Ora pro nobis!…

    — Virgo Potens…

    — Ora pro nobis!…

    — Estrella Matutina…

    — Ora pro nobis!…

    Acabada a ladainha, foi um deus-nos-acuda. A orquestra — uma rabeca, um cavaquinho e uma flauta — atacou o seu
    programa cutuba de polcas e chotes, e a tropa entrou decidida nas danças. Os homens, em geral, mais graciosos e desenvoltos que
    as mulheres, cuaw6kx passos na sala eram pesados e tímidos.

    Condeixa e Conceição foram par constante. Enfiavam polca em cima de polca, chegando a levantar poeira. E nem
    davam mostras de cansaço. Era só tocar a música, eles estavam arrastando os pés. Ele todo perequeté, vaidoso e contente, ela
    dengosa e assanhada, toda cheia de quindins. As outras moças, mordidas de despeito e inveja, cochichavam pelos cantos, num
    fuchico danisco.

    — Que grude, Minha Nossa Senhora!

    — Nunca vi rabicho tão indecente.

    — Gente apresentada, soco!

    O ronco da orquestra continuava, indiferente, animando os pares e espantando os bichos da mata.

    De repente, por causa de uma pisadela que um rapaz deu no pé de uma moça, ia havendo um rolo.

    — Não enxerga, seu pé de mão de pilão!

    — Pé de mão de pilão é sua mãe!

    Era uma rixa antiga, entre dois paroaras, que acabaria em conflito, decidindo-se à ponta de faca, se não fosse a
    disposição de Canuto, que respeitado e temido, botando a cabeça na porta gritou pros contendores:

    — Que diabo de bate-boca é esse? Acabem com essa joça que isto aqui não é casa de Mãe Joana!

    Foi água na fervura. Os valentões botaram a viola no saco.

    Mal receberam as suas esmolas (novilhas, vitelas, carneiros,
    galinhas, bacorinhos, ovos, tartarugas, paneiros de farinha, beijus,
    peixe seco, frutas, um de tudo, menos dinheiro ), os festeiros do
    Divino deitaram os troços dentro das canoas e levantaram o panete pra
    outro sítio, — onde se havia de repetir o mesmo cerimonial, —
    quebrando o silêncio matutino dos rios e igarapés com o ronco monótono
    do tambor, que acordava num alvoroço de alegria todas as barracas das
    ribanceiras…

    Bum-bum… Bum-bum… Bum-bum…

    Conceição teve, logo que a Canoa do Divino partiu, dias sucessivos de sonhos e de inquietação. Não estava nada
    tranqüila. Tivera momentos bons naquela noite animada de fusué. Mas desde que Condeixa partira se lhe fechara o coração… Não
    atinava bem com o motivo. Mas um não-sei-que-diga lá dentro lhe dizia que alguma coisa estava pra acontecer…

    (Depois da romaria fluvial, era a festa, na cidade. As canoas
    deviam atracar no porto na véspera do dia do Divino Espírito Santo. O
    programa constava de ladainha, banquete, leilão, danças e missa
    cantada. Um nunca acabar de festas! As esmolas arrecadadas, tirantes as
    que iam servir para o banquete da Comissão, seriam arrematadas em
    leilão, na praça da Matriz, a fim de arranjar uns bagarotes para pagar
    a missa e o sermão do padre.)

    Todo mundo fazia maus juízos sobre a honestidade do regatão:

    — No frigir dos ovos, Miguel Jorge vai fazer um bom arranjo.

    — Ele tira sempre a sua lambugem.

    — Qual! desta vez regatão levou uma bucha danada!

    (Mas Miguel Jorge era, por exceção, nessas coisas de devoção, honrado e sincero.)

    …Não arredava o pensamento daquilo: Condeixa, a festa, a sua
    situação… Que ia ser da sua vida? Condeixa gostaria mesmo dela? Homem
    não gosta de mulher: acostuma… E as tenções dele seriam boas? Teria
    ele dançado com outras moças nos sítios por onde passara? E, no leilão
    da Matriz, teria tido coragem de deixar que o outro arrematasse a cuia
    pitinga que ela ofertara ao santo ? E se ele, na festa, se engraçasse
    de outra cunhatã? Feição dele era de que gostava dela. Mas… Sabia
    não! Este mundo dá tantas voltas!

    — Quando é que a gente casa, bichinho?

    — Ora, minha nega, eu ainda ganho tão pouco

    — Que é que tem, bichinho? Eu não faço questão de estadão…

    — Mas eu estou liso, Conceição.

    — E bem. Mas neste estado é que eu não posso ficar. Se papai souber, o que é que vai ser de nós?

    — Agora é impossível… Vamos esperar que “Seu” Miguel aumente o meu ordenado…

    E foi se embora, sem atar nem desatar…

    — Erê catu, minha nega, até curi!…

    Aquela noite aziaga, no silêncio triste da sua camarinha, escutando o canto agourento do murututu — Credo! — foi um
    drama calado de sonhos, de sobressaltos, de incertezas acabrunhadoras. Rolando na rede sem achar posição, interrogou em vão
    o destino, e não pregou os olhos.

    A primeira cantada do galo veio encontrá-la acordada ainda, de olhos secos, assuntando na vida, sem saber o que fazer.
    Que é que ia ser da vida dela, minha Nossa Senhora de Nazaré? E quando o pai soubesse de tudo?… Nem gostava de pensar…
    Pegou no sono, já de manhãzinha, quando o sol botou a cara larga de fora, por cima da cabeleira verde das sumaumeiras, para
    espiar no igarapé os banhos dos pássaros madrugadores.

    O BOTO

    — Pau de muquém tá aí mulher! Arranje os teréns, que eu amanhã quero fazer piracuí pra salga.

    — E bem. Mas não faça de peixe de pele não, que é carregado e faz mal às suas perebas.

    Pronta a grelha triangular do muquém, que a trempe de pedras da tucurua agüentava sobre os tições acesos, começaram
    a assar o tambaqui a fogo brando. Moqueado o peixe, o esmigalharam nos dedos, esfarinhando-o completamente, para levá-lo
    ao forno de fazer farinha. Feita a farinha de peixe, só restava preparar a mojica, pra comer durante a salga, no putirum.

    Depois dos derradeiros repiquetes de agosto, principiara a vazante. Ia começar o “tempo da salga”. O Cel. Borborema,
    que

    era o dono de todas aquelas terras da beira do rio, já mandara ordem a Canuto pra organizar o putirum. Canuto avisou a
    tropa e botou logo o tajapurá na proa da sua montaria, pra ter sorte na pescaria e não ficar saru.

    A partida para a salga estava marcada pro dia seguinte. Raimunda não sabia como havia de começar… Mas tinha mesmo
    que dizer. Canuto não podia ir embora ignorando aquela desgraça.

    Afinal, quando se trancaram na camarinha pra dormir, ela beijou os seus bentinhos três vezes pra criar coragem e
    atirando a anágua em cima da esteira do girau, foi desembuchando:

    — Você sabe de uma coisa, Canuto? Boto pegou a cunhatã!

    — Qu’é que está me dizendo, mulher?!

    — Foi ela mesmo que me disse que o boto tinha pegado ela! Também a cunhã não tem juízo, vivia agora bangolando
    na barranca do igarapé… Está aí o que ela queria!

    — Boto nada, mulher besta! Deixa estar que eu vou caçar o condenado que fez mal à cunhã, e quando topar com o
    miserável, dou cabo da vida dele!

    De madrugadinha, quando as primeiras barras do dia levaram a escuridão do céu sujo, Canuto saiu de casa sem dizer
    palavra, desamarrou a montaria da ponte, e puxou com ódio pras cabeceiras do igarapé.

    Dentro da canoa ele levava tudo o que era preciso pra pescaria:
    duas linhas, dois “bicos”, duas bóias, a buraçanga de matar peixe, a
    quicé de fiança, terçado, o uru, o isqueiro, o tabaco, a palha de
    tanari pro cigarro, os anzóis e a sua matalotagem de mojica e cachaça.

    E mipicando o jacumã — tchaco — tchaco — tchaco — ele nem via o rebojo que a montaria levantava na proa. Estava
    danado da vida.

    A cabeça zonza rondava, atopetada de pensamentos maus, que nem um corropio em noite de pé-de-vento. Uma dor fina,
    de ódio, estalava nos seus pulsos, apertava-lhe a goela, rasgava o seu coração. Também se ele topasse o desgraçado que fizera
    mal à sua filha — Ah! tipo chué! — cosia o condenado de faca!

    TEMPO DA SALGA

    O putirum estava fervendo. Naquelas beiras encharcadas de lago, um mundão de gente labutando na salga. Todos
    os moradores das redondezas, e até gente mais de longe, se misturavam no vaivém daquela trabalheira: pescadores que
    vinham mariscar por conta do Cel. Borborema; especuladores que queriam comprar o pescado; regatões que farejavam bons negócios.

    Miguel Jorge — um mama em onça danisco — foi dos primeiros a chegar. Não quis fazer feitoria no teso pra não perder
    tempo nem gastar dinheiro: ficou mesmo na tolda da sua canoa de regatão, onde improvisou uma barraca de lona. Ele e Condeixa
    ali viviam o dia inteiro, no mormaço, negociando com a tropa do putirum, e era ali, à noite, que dormiam, sob a sova caningada
    dos carapanãs.

    Nas “ilhas” do alto, junto às reboladas de palmeiras, alguns pescadores fizeram tejupares de folhas de baçu, com portas
    de japás, e acolá, em torno da canoa do regatão e das barracas dos pescadores, era que girava a vida do putirum. A feitoria do
    Cel. Borborema, que recolhia todo o pescado, estava trepada numa barranca desbeiçada do igarapé, bem na bocaina do lago, em
    tempo de se atolar no visgo mole do tijuco.

    Pitoresca e alegre, a fisionomia do lugar, no tempo da salga. O verão claro queimava o céu, mas a temperatura era
    agradável, porque sopravam para refrescar os “ventos de baixo”, abrandando o calor do sol brabo. Os bichos do mato e os
    pássaros, contentes, passeavam nas cercanias, fazendo sonora a magia policrômica da paisagem enfeitada de sol.

    Na manhã iluminada, que “o vento de baixo” refrescava, arrepiando a cabeleira verde da mata felpuda, Canuto, mupicou
    seu jacumã com talento, até abicar na ribanceira de feitoria do Cel. Borborema.

    Chegou com cara de poucos amigos, sem dar as horas. A tropa, porém, saudou-o com efusão.

    — Antão, Canuto, como lhe foi de viagem?

    — Meué — meué, mupicando rio a riba, mode chegar na hora, antes de ter “caído o vento”.

    — E a obrigação, cuma ficou?

    — Vai indo namasque. Na consumição da labuta de todo dia!

    E amarrou a cara, sem vontade de ir adiante. Rodou nos calcanhares, e embicou logo na direitura da canoa do regatão.

    — Abangue-se, Canuto! bra tomar uma chigrinha de café! ofereceu Miguel Jorge.

    Mas Canuto recusou com secura, para cortar conversa.

    — Eu quero mas é matar o bicho.

    E, — coisa que ele não fazia há muitos anos — emborcando o copo de cachaça, soltou a velha exclamação do seu tempo
    de solteiro:

    — Ó coisa ruim pra eu achar boa!

    Condeixa não ficou tranqüilo com os maus modos do pai de Conceição.

    — Quer ver que a cunhã me armou um catatau com o Canuto?

    BATENDO O LAGO

    A calça grossa arregaçada, a curta camisa de algodãozinho panejando
    ao vento, o largo chapéu de palha de tumumãzeiro enterrado até as
    orelhas, o comprido cigarro de tauari espetado no queixo, Canuto, todo
    vermelho, cor de tinta de moruxi sentado no “banco do pescador” da
    proa, os pés fincados na tábua do “fogão”, esperando o peixe de harpão
    em punho, tem o ar sinistro de um duende de barro, estranho e duro.

    Ele na frente, o “joão-de-pau” na popa, governando, a montaria navega macia, que nem asa de pato, e o pirarucu
    trastejou — está no ferro…

    Os pescadores, pra matar o tempo, vão dando com a língua nos dentes.

    — Cunhado, disque Coroné Borborema é podre de rico?

    — Paresque…

    — Feição dele é de home graúdo.

    — Tem um dispotismo de terra nestes mundo de igarapé. — Antão, a água do rio também é dele?

    — E bem… E de quem havera de sê?

    — Taí uma que eu não engulo! Antão o rio, com água, peixe, e tudo, é desse homem sozinho?

    — Tanto é que nós pescamos e ele é quem vende os “pacotes” …

    — Caboclo aqui a vida inteira neste tecô, pro miserave desse Coroné Borborema enchê o rabo!

    — Vida é isso mesmo, cunhado: pobre se mata, rico enche a pança!

    — Esta joça não está direita não!

    — Uai! Se as águas são do home, o peixe também tem que sê…

    — Que estrovenga mais torta, soco! Caboclo trabaia, e os bagarotes são pro Coroné Borborema.

    — Ora, deixa de bondades, cunhado, que pirarucu tá ciringando da sua banda!

    Os pirarucus dos animais e periantes do Lago Redondo estavam tontos. As canoas e os harpões, agitando de repente o
    silêncio daquelas águas mansas, espalharam o desassossego entre eles, que, na sua fuga alvoroçada, ora escolhiam as touceiras
    de gerimbecas do matupá, pra se esconder, ora o perau dos furos e dos aguapés.

    Ainda que perseguidos em debandada, não podem eles escapar à fatalidade biológica de um hábito traiçoeiro: botar a
    cabeça de fora, na flor d’água, de quando em vez.

    — Pirarucu veio matar saudades do harpão!… exclama o pescador, com bom humor, vendo-o vir procurar a morte na tona
    do lago, — e o espeta implacável no bico do ferro.

    Quando a ciringa denuncia a passagem do peixe, os pescadores ficam atentos na proa das montarias, que se estendem em
    fila, disciplinadas e silenciosas.

    Mal o pirarucu irrompe na superfície do lago “para respirar” empinando pra fora cabeça, lombo e cauda ao mesmo
    tempo, com um ímpeto que chega levantar um macaréu — balacubau… bolocobó… — o pescador, ágil e seguro “manda-lhe” o
    harpão no lombo rijo.

    Acaso o primeiro erre o golpe, o outro “secunda-o”, alvejando o bicho na direção do “bululu”, que ele vai abrindo

    n’água quando foge…

    Arpoado, o peixe dispara, numa velocidade doida, águas abaixo. O
    harpão preso a uma longa corda, o pescador o acompanha na sua montaria
    maneira e rápida, tenteando a linha, ora soltando-a, ora colhendo-a pra
    fatigar o peixe e afinal matá-lo. Se o pressente muito grande e
    possante e se teme quebrar a corda ou alargar a canoa, solta-o com uma
    bóia de paú, que denunciará, onde quer que ele pare ou morra.

    A RONDA DOS JACARÉS

    A boquinha da noite, pigorando os sobeaw6kx das canoas e da feitoria,
    os jacarés se juntam, corpulentos e pesadões, na borda da galeota do
    regatão, com o focinho à flor d’água, dando rabanadas e mergulhos, na
    disputa esfaimada dos fatos de peixe e dos restos de comida lançados
    dentro do igarapé.

    Com os olhos redondos de vidro esbugalhados, que nem os faróis mal-assombrados de uma boiúna, os bichos ficam por
    ali, sob as canaranas da beirada, famintos, ameaçadores, medonhos, bulhentos.

    De quando em vez, se a fome os atormenta, arriscam um passeio em terra, e galgam o tijuco mole do barranco, numa
    marcha grotesca e desengonçada, arrastando o largo papo no chão, cauda e cabeça empinadas, chegam parecer uma assombração.

    Se os curumins da feitoria os enxotam a pedradas, eles disparam
    numa carreira pesada, sacolejando o corpo, todos arrepiados, a cauda
    eriçada, boca escancarada, até caírem de novo dentro d’água —
    qui-ti-buum… bum… — onde se refugiam, brabos e feios, a dar
    lambadas uns nos outros, em tempo de alagar a galeota do regatão.

    E são tantos, Santo Deus! — fervilhando na borda da canoa, dando pinotes, rolando e arengando, mergulha aqui, bota a
    cabeça de fora acolá, — que metem medo.

    Só de vê-los — Credo! — Condeixa ficava com os cabelos em pé.

    — Vôote! Nunca vi tanto jacaré junto!

    CONFISSÀO E CASTIGO

    Canuto assim que chegou da pescaria, foi direitinho pra canoa do regatão. Não estava pra caçoada não. Enfarruscado,
    vesgo de raiva, estava assado o homem! Condeixa quando o viu botar o pé no bailéu da galeota, sentiu um baticum desapoderado
    no coração. Correu-lhe um frio de medo na espinha. Viu escrito na cara do homem que ele sabia tudo. E teve vontade de
    se assurverter de chão adentro.

    Canuto, nem respondeu o cumprimento de “seu” Miguel Jorge. Mas foi logo desembuchando os seus maus bofes.

    — Nem me fale, cunhado! Estou penema. Só presto mesmo é pra pegar pirarucu no choco…

    — Deija de brosa, Canuto. Nem todo tia é tia zanto. Amanhã Zenhor desforra…

    — Tem jeito não. Parece que urubu cuspiu em riba do meu quengo… Lago estava saru, não bati nada.

    Tomou um copo de cachaça que Miguel Jorge serviu.

    — Ó coisa ruim pra eu achar boa!

    E continuou a dar com a língua nos dentes, emborcando copo sobre copo.

    — Estou por conta, “seu” Miguel! E se eu me espalhar, não tem homem que me ajunte!

    Miguel Jorge, prudente e cauto, vendo as coisas malparadas, pretextou um negócio na feitoria, e largou-se pra terra.

    — Com sua lizenza… fou ali, já folto!

    Sem dar atenção a nada Canuto, continuou o seu monólogo ameaçador.

    — Eu não tenho nojo de sangue! Ainda acabo tirando o coração de um condenado pelas costas.

    Depois, virando-se pra Condeixa, que tremia de medo num cantinho da tolda, gritou com voz sinistra:

    — Carazué dos trezentos, bota aqui mais um copo de cachaça!

    Condeixa, diante do insulto, perdeu a calma, e desgovernado, tremendo que nem varas verdes, derramou a cachaça toda,
    sem acertar no copo.

    — Tá doente de maleita, bicho mofino? berrou Canuto, fuzilando o caixeiro com os olhos esbugalhados.

    Acovardado, sem poder arredar o corpo do lugar, Condeixa caiu de joelhos nos pés de Canuto, de supetão, numa
    súplica inesperada:

    — Não me mate não, “seu” Canuto, que não fui eu que fiz mal a ela! Juro pela alma de minha mãe: sua filha me levantou
    um falso! Não fui eu não “seu” Canuto!

    Canuto rangiu os dentes com ódio. Estava ali diante dele o miserável que desgraçara sua filha, confessando tudo, mesmo
    sem ele perguntar. Deu um urro bárbaro de dor e cólera, e brandindo o terçado que arrancara da cinta, avançou cego de fúria
    contra Condeixa:

    — Tipo chué como esse peste, o sangue até suja a faca da gente! Tu só serve mesmo é pra pasto de jacaré, mundícia!

    E dando-lhe rápido golpe brutal no pescoço, viu foi a cabeça dele saltar dentro d’água.

    Depois, com um pontapé violento, jogou o corpo que enlameara de sangue o bailéu da canoa, dentro do rio sujo —
    qui-ti-bum! — onde os jacarés esfomeados fervilhavam de fauces escancaradas, aos guinchos e aos pinotes, entre as piranhas
    miúdas e vorazes.

    Na luz calma do luar, ficou boiando, em volta da galeota do regatão, a garatuja vermelha de uma nódoa de sangue.

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