Brazil’s Sacramento: Memorable Sound

    Marcos Sacramento made his first major statement as a solo artist in 1994 with the CD A Modernidade da Tradição. In the ten years that elapsed since that release, he recorded the modernist Caracane, four albums of 1920s songs with Lira Carioca, and the “Afro-Sambas” album Saravá, Baden Powell! with Clara Sandroni.

    Memorável Samba is Sacramento’s latest disc and his first solo album since 1998. As its title (extracted from “Meu Romance,” where it refers to a party, not the musical genre) implies, the album showcases classic sambas from the Golden Age of the 1930s and ’40s.

    Produced by the French Association Saravá, which has been promoting the singer’s European tours, the CD was released earlier this year in Brazil.

    In its choice of repertoire, Memorável Samba follows in the steps of A Modernidade da Tradição. But whereas the earlier disc was a restrained affair with stripped-down arrangements and spare vocals, the new album is exuberant and lavishly arranged in primordial samba-choro style by ígua de Moringa leaders Luiz Flavio Alcofra and Jayme Vignoli.

    What the two discs share beyond the repertoire is a contemporary yet respectful approach to interpreting golden oldies that renders the songs relevant to our age without robbing them of their period charm.

    Sacramento is the ideal singer for this repertoire, possessing both the vocal chops and a natural vivacity and humor that are particularly well-suited to vintage samba.

    These qualities make themselves apparent beginning with the first track, “Deixa Falar!” A manifesto of racial equality and national valor centered around Brazil’s 1938 World Cup semifinals defeat at the hand of (Fascist) Italy, this samba was particularly topical on the verge of World War II, just as Hitler’s annexation of Czechoslovakia during the same year furnished material for a popular marcha.

    “Deixa Falar!,” composed by a musician who was a member of Assis Valente’s 1930s vocal group Bando Carioca, was recorded by Carmen Miranda with orchestra and male chorus.

    Ary Barroso made a guest appearance, narrating a Brazil-Czechoslovakia football game””apparently from the 1938 World Cup quarterfinals.

    Tipping the hat to Ary, Sacramento’s version opens with a sampling from the original recording of the gaitinha trill always used by the composer/football comentator to announce goals in his radio broadcasts.

    Jayme Vignoli’s arrangement keeps an up-tempo mood with a spirited brass and reed section. Sacramento’s rendition is equally vivacious, and he has fun imitating Carmen’s rolled Rs.

    Deixa Falar!
    (Nelson Petersen, 1938)

    E todos têm seu valor
    Deixa falar!
    Este samba tem Flamengo
    Tem São Paulo e São Cristóvão
    Tem pimenta e vatapá
    Fluminense e Botafogo
    Já têm seu lugar

    Você pensava que o Diamante*
    Fosse jóia de mentira para tapear
    Você pensava que o Caboclinho
    Fosse negro de senzala para se comprar
    Só porque viu que ele tem um pé
    Que deixou o mundo inteiro em revolução
    Quando ele bota aquele pé em movimento
    Chuta tudo para dentro e não tem sopa não!

    Quando você dizia que trocava
    A gostosa feijoada pelo macarrão
    Desconfiava que você não era
    Brasileiro abençoado deste meu rincão
    Você torcia pro italiano
    E apostou o meu dinheiro
    E nem sequer me deu
    Jogou a minha feijoada fora
    Falou mal da minha gente
    E ainda me bateu!

    * Leonidas da Silva, star of the Brazilian soccer team.

    The theme of the classic malandro makes an appearance in several tracks, with “Meu Romance” being a prominent exemplar. This song, classified as a samba-canção, was recorded by Orlando Silva at a leisurely pace reminiscent of a waltz.

    It tells the story of a young man who has fallen for a lass at a party and, following her to the morro, becomes an avowed malandro.

    Sacramento’s version is a delicious full-tilt samba, making the most of the story. The highly percussive track features traditional and nylon pandeiros, tamborim, surdo, ganzá, chocalho, repique de mão, and tantan, in addition to guitar and cavaquinho.

    Meu Romance
    (J. Cascata, 1938)

    Embaixo daquela jaqueira
    Que fica lá do alto, majestosa
    De onde se avista a turma da Mangueira
    Quando se engalana com suas pastoras formosas
    Ah, foi lá, quem é que diz que o nosso amor nasceu
    Na tarde daquele memorável samba
    Eu me lembro, tu estavas de sandália
    Com teu vestido de malha
    No meio daqueles bambas.
    Nossos olhares cruzaram
    E eu pra te fazer a vontade
    Tirei fora o colarinho
    Passei a ser malandrinho
    Nunca mais fui í  cidade
    Pra gozar o teu carinho
    Na tranquilidade.
    E hoje faço parte da turma
    No braço eu trago sempre o paletó
    O lenço amarrrado no pescoço
    Eu já me sinto outro moço
    Com meu chinelo “Charlot”
    E até faço valentia
    E tiro samba de harmonia.

    Mario Reis was the first to record the sexually ambiguous samba “Mulato Bamba,” which recounts the exploits of another malandro who’s popular with the morenas of Salgueiro but avoids them all, wanting no attachment””even with a beautiful woman.

    The interpretation here is leisurely rhythmic and tongue-in-cheek, much as a mulato bamba would be.

    Mulato Bamba
    (Noel Rosa, 1932)

    Esse mulato forte
    í‰ de Salgueiro
    Passear no tintureiro
    Era o seu esporte
    Já nasceu com sorte
    E desde pirralho
    Vive í s custas do baralho
    Nunca viu trabalho
    E quando tira samba é novidade
    Quer no morro ou na cidade
    Ele sempre foi um bamba
    As morenas do lugar
    Vivem a se lamentar
    Por saber que ele não quer
    Se apaixonar por mulher

    O mulato é de fato
    E sabe fazer frente
    A qualquer valente
    Mas não quer saber de fita
    Nem com mulher bonita

    Sei que ele anda agora aborrecido
    Porque vive perseguido
    Sempre e a toda hora
    Ele vai-se embora
    Para se livrar
    Do feitiço e do azar
    Das morenas de lá
    E eu sei que o morro inteiro vai sentir
    Quando o mulato partir
    Dando adeus para o Salgueiro.
    As morenas vão chorar
    E pedir pra ele voltar
    E ele então diz com desdém:
    “Quer tudo quer… nada tem”

    “O “X” do Problema” will always belong to Aracy de Almeida. Wisely, Sacramento makes no attempt to compete with the legendary singer. He begins the song slowly, building up the rhythm as he goes.

    As in the previous songs, the lyrics celebrate the traditional milieu of bambas, only this time the bamba is a woman.

    O “X” do Problema
    (Noel Rosa, 1936)

    Nasci no Estácio
    E fui educada na roda de bamba
    E fui diplomada na Escola de Samba
    Sou independente, conforme se vê
    Nasci no Estácio
    O samba é a corda, eu sou a caçamba
    E não acredito que haja muamba
    Que possa fazer eu gostar de você.

    Eu sou diretora da escola de Estácio de Sá
    E felicidade maior neste mundo não há.
    Já fui convidada
    Para ser estrela do nosso cinema
    Ser estrela é bem fácil
    Sair do Estácio é que é
    O X do problema.

    Você tem vontade
    Que eu abandone o Largo do Estácio
    Pra ser a rainha de um grande palácio
    Pra dar um banquete uma vez por semana.
    Nasci no Estácio
    Não posso mudar minha massa de sangue
    Você pode crer que palmeira do mangue
    Não vive na areia de Copacabana.

    The samba-choro “Meu Rádio e Meu Mulato” was a light-hearted vehicle for Carmen Miranda at a time when radio was the most important entertainment medium.

    The protagonist hopes to attract his/her beloved with music played on the radio s/he bought on an installment plan. The plan fails, for the beloved doesn’t like music in addition to having no heart.

    Sacramento lends his interpretation a wistful overlay that is nicely complemented by Nicolas Krassik’s violin and Marcos Nimrichter’s accordion. Luiz Flavio Alcofra arranged this tasteful morsel.

    Meu Rádio e Meu Mulato
    (Herivelto Martins, 1938)

    Comprei um rádio muito bom
    í€ prestação
    Levei-o para o morro
    E instalei-o no meu próprio barracão
    E toda a tardinha
    Quando eu chego pra jantar
    Logo ponho o rádio pra tocar
    E a vizinhança pouco a pouco
    Vai chegando
    E vai-se aglomerando o povaréu
    Lá no portão
    Mas quem eu queria não vem nunca
    Por não gostar de música
    E não ter coração
    Acabo é perdendo a paciência
    Estou cansado, cansado de esperar
    Eu vou vender meu rádio a qualquer um
    Por qualquer preço
    Só pra não me amofinar
    Eu nunca vi maldade assim
    Tanto zombar, zombar de mim
    Disse um poeta
    Que do amor era descrente:
    Quase sempre a gente gosta
    De quem não gosta da gente!

    Another wartime song pokes fun at the enemy””this time Nazi Germany.

    Samba-de-breque was Moreira da Silva’s specialty, but in “Esta Noite Eu Tive um Sonho” Sacramento matches him skill for skill in a humorous rendition that is nothing short of brilliant.

    The track begins with a brief quotation of the opening to Beethoven’s Fifth Symphony, played by the brass and winds, and things only get better from there.

    Particularly delicious is the contrast between the smooth syncopated singing and the harsh fake-German breaks. The narrator’s nightmare takes place in a Berliner botequim, where the waiter refuses to serve him and the owner received him with two stones in his hands.

    Even the Brazilian’s assurance “Ich mag dich” (“I like you,” an allusion to Getúlio Vargas’ flirtation with Germany), charmingly misspelled in the lyrics and meaning just the opposite,* does nothing to resolve the impasse until he wakes up with the realization that he’d been dreaming, and that eating sausage at night is bad for the digestion.

    Esta Noite Eu Tive um Sonho
    (Wilson Batista/Moreira da Silva, 1941)

    Saltei em Berlim, entrei num botequim
    Pedi café, pão e manteiga para mim
    O garçom respondeu: “Não pode ser, não!”
    Fiquei furioso e fui “hablar” ao patrão
    Que me recebeu com duas pedras na mão
    E me disse quatro frases em alemão
    [spoken break in fake German]
    Neris disso, sou doutor em samba
    Venho de outra Nação!

    Tive vontade de comer uns bifes
    Ich nag dich,* seu Fritz
    Não se resolve assim não
    Venho do Brasil
    Trago um presente pro senhor
    Esta ganha, esta perde
    Na voltinha que eu dou
    Já tinha ganho todos os marcos para mim
    Quando ouvi o ruí­do de um Zeppelin
    Eu acordei, tinha caí­do no chão
    Salsicha í  noite não faz boa digestão
    Eu tive um sonho em alemão.

    * Ich mag dich = I like you
       Ich nag dich = I gnaw on you

    The samba “Fez Bobagem” was another Aracy de Almeida vehicle. Equally important, it received a glorious recording from Sacramento himself in A Modernidade da Tradição.

    That recording was minimalist and reflective; this one is perky, ending with theatrical flourish. I happen to prefer the 1994 version, although the new one has its merits. The story line is familiar: a favelada’s complaint that her lover has replaced her with a new woman.

    Fez Bobagem
    (Assis Valente, 1942)

    Meu moreno fez bobagem
    Maltratou meu pobre coração
    Aproveitou a minha ausência
    E botou mulher sambando no meu barracão
    Quando eu penso que outra mulher
    Requebrou pra meu moreno ver
    Nem dá jeito de cantar
    Dá vontade de chorar
    E de morrer
    Deixou que ela passeasse na favela com meu peignoir
    Minha sandália de veludo deu í  ela para sapatear
    E eu bem longe me acabando
    Trabalhando pra viver
    Por causa dele dancei rumba e fox-trote
    Para inglês ver

    Aracy (and Noel) again. “Triste Cuí­ca” had been one of Noel’s forgotten songs until Ione Papas recorded it in 2000. In this samba, the stock character of Laurindo (later to be invoked in separate sambas by Herivelto Martins and Wilson Batista) made his first appearance.

    He is the expert bamba whose cuí­ca sounded like the lowing of an ox. Laurindo abandons Zizica for Conceição, and the wronged woman exacts her revenge.

    Sacramento’s sensitive version is both rhythmic and lyrical, at times conversational, at others singer-like. Flutes, trumpet, flugelhorn, and trombone, arranged by Carlos Fuchs, build up toward a strong finish.

    Triste Cuí­ca
    (Noel Rosa/Hervê Cordovil, 1935)

    Parecia um boi mugindo
    Aquela triste cuí­ca
    Tocada pelo Laurindo
    O gostoso da Zizica.

    Ele não deu í  Zizica
    A menor satisfação
    E foi guardar a cuí­ca
    Na casa da Conceição.

    Diferente o samba fica
    Sem ter a triste cuí­ca
    Que gemia feito um boi…

    A Zizica está sorrindo
    Já mataram o Laurindo
    Mas não se sabe quem foi.

    Sacramento altered Noel’s last two lines:

    Esconderam o Laurindo
    Mas não se sabe onde foi.

    João Máximo and Carlos Didier comment on the original ending in their book Noel Rosa: Uma Biografia (Editora Universidade de Brasí­lia, 1990):

    The verb esconder [to hide] is used in the sense of matar [to kill], something rare in popular music, as are lyrics in the form of a sonnet.

    By taking this liberty with the lyrics, the singer no doubt intended to clarify the true meaning behind the phrase (did Noel disguise it to fool the censor?). In doing so, he dropped a syllable from the final line, which makes for a smoother finale.

    “Só Pode Ser Você,” a slow samba of disappointed love, has been a favorite of Sacramento’s for many years. This, too, is the legacy of Noel and Aracy, and Marcos cloaks it in a highly personal setting.

    Noel, already ailing and not long for this world, addresses Ceci, the woman he calls “most cruel, more beautiful than sincere.” Alcofra and Vignoli’s lovely accompaniment compounds the feeling of loss.

    Só Pode Ser Você
    (Noel Rosa/Vadico, 1936)

    Compreendi seu gesto
    Você entrou
    Naquele meu chalet modesto
    Porque pretendia
    Somente saber
    Qual era o dia
    Em que eu deixaria de viver
    Mas eu estava fora
    Você mandou lembranças
    E foi logo embora
    Sem dizer qual era
    O primeiro nome
    De tal visita
    Mais cruel
    Mais bonita
    Que sincera.

    E pelas informações que recebi
    Já vi
    Que essa ilustre visita
    Era você
    Não existe nessa vida
    Pessoa mais fingida
    Do que você.

    Roberto Silva recorded the samba “Notí­cia” in his velvety tones. Sacramento has the velvet but also plenty of swing, and the gafieira-like accompaniment puts your feet to tapping and your hips to shaking.

    (Nelson Cavaquinho/Alcides Caminha/Norival Bahia, 1954)

    Já sei a notí­cia que vens me trazer
    Os seus olhos só faltam dizer
    O melhor é eu me convencer
    Guardei até onde eu pude guardar
    O cigarro deixado em meu quarto
    í‰ a marca que fumas, Confessa a verdade, Não deves negar

    Amigo como eu, jamais encontrarás
    Só desejo que vivas em paz
    Com aquela que manchou o meu nome
    Vingança, meu amigo, eu não quero vingança
    Os meus cabelos brancos me obrigam
    A perdoar uma criança

    In “Errei… Erramos” Sacramento demonstrates that he is indeed Orlando Silva’s contemporary heir, combining vocal beauty with an unerring sense of rhythmic timing. Andréa Ernest Dias’ flute hones the swinging arrangement’s edge.

    Errei… Erramos
    (Ataulfo Alves, 1938)

    Eu, na verdade,
    Indiretamente sou culpado
    Da tua infelicidade
    Mas, se eu for condenado,
    A tua consciência
    Será meu advogado.

    E, evidentemente,
    Eu devia ser encarcerado
    Nas grades do teu coração
    Porque se sou um criminoso,
    í‰s também, nota bem,
    Que estás na mesma infração.

    Venho ao tribunal da minha consciência
    Como réu-confesso, pedir clemência,
    O meu erro é bem humano
    í‰ um crime que não evitamos
    Este princí­pio alguém jamais destrói,
    Errei… erramos.

    Batista de Souza, who first sang “Onde Está a Florisbela?,” is an unknown among the illustrious singers memorialized in this disc. I have never heard his recording, but no matter, for Sacramento’s delectable version is beyond comparison.

    Funny, effortless, exuding essence of malandro carioca, it is sui generis. Roberto Marques’ trombone counterpoints the voice marvelously.

    The story revolves around a deceived woman’s revenge: she burns all her malandro lover’s clothes and his guitar, and the neighbor woman helps her set the fire.

    Onde Está a Florisbela?
    (Geraldo Pereira/Ary Monteiro, 1944)

    De madrugada
    Voltei do baile,
    Na certa de encontrar minha amada
    Achei a janela aberta e as portas
    Quero esquecer mas não posso
    Tive um pouco de remorso
    As horas já eram mortas
    Entrei e verifiquei toda a casa
    Meus ternos já eram cinza
    E meu violão era brasa
    bati na janela da vizinha:
    “Dona Estela me diga
    Aonde foi a Florisbela?”

    A vizinha respondeu:
    “Quando notei a fumaça
    Bem que eu disse, oh! Florisbela
    Não é coisa que se faça
    Ela contou-me chorando
    Que lhe viu nos braços de outro alguém
    Oh! meu vizinho, a razão dá-se a quem tem
    Botei fogo também.”

    The rousing penultimate number is “Imperador do Samba,” which Carmen Miranda introduced in more innocent days. The subject is the majesty of samba, and Luiz Flavio Alcofra’s setting parades all the traditional percussion instruments to do the honors.

    Imperador do Samba
    (Waldemar Silva, 1937)

    Silêncio! Façam alas!
    Ordem, respeito
    E nem um grito de bamba
    Quero os tamborins de grande gala
    Que vai passar o Imperador do Samba

    A Imperatriz marcha também
    Na frente de um garboso batalhão
    E vem a princesa Rumba
    Pra ver sua Majestade
    Também vem a Macumba
    Por isso eu peço muito silêncio!

    Com o Tango e a Valsa vêm também
    Entoando um hino de louvor
    Vêm a Embolada e a Toada
    E vem o Blue americano
    Pra saudar o imperador
    Por isso eu peço muito silêncio!

    Closing the disc is no samba but a waltz, one of Orlando Silva’s most memorable creations. The narrator watches a beautiful woman, “like a crazy butterfly, a goddess of luxury and pleasure,” lose at roulette, sustaining a mortal duel with luck.

    Sacramento’s homage to his master is a fitting voice-guitar seresta, ending a vivid album on a quiet, reflective, beautiful, note.

    Deusa do Cassino
    (Newton Teixeira/Torres Homem, 1938)

    Ninguém foge ao seu destino
    E por isso num cassino
    Eu vim a te conhecer
    Como louca borboleta
    Volúvel como a roleta
    Deusa do luxo e do prazer.

    Sentada na minha frente
    Jogavas nervosamente
    Sem acertar uma vez
    Era um duelo de morte
    Que sustentavas com a sorte
    Com seu destino, talvez.

    As tuas mãos vaporosas
    Mexendo as fichas, nervosas
    Tinham presos os olhos meus
    Nas fichas mais valiosas
    Nas dez fichas cor-de-rosa
    Das pontas dos dedos teus.

    A tua boca vermelha
    Com as copas se assemelha
    No seu feitio e na cor
    Boca que vale um tesouro
    Vale mais que o ás de ouro
    Numa seqüência de amor.

    Marcos Sacramento: Memorável Samba
    (Biscoito Fino BF 569; 2003) 48:50 min.

    01. Deixa Falar (Nelson Petersen, 1938)
    02. Meu Romance (J. Cascata, 1938)
    03. Mulato Bamba (Noel Rosa, 1932)
    04. O “X” do Problema (Noel Rosa, 1936)
    05. Meu Rádio e Meu Mulato (Herivelto Martins, 1938)
    06. Esta Noite Eu Tive um Sonho (Wilson Batista/Moreira da Silva, 1941)
    07. Fez Bobagem (Assis Valente, 1942)
    08. Triste Cuí­ca (Noel Rosa/Hervê Cordovil, 1935)
    09. Só Pode Ser Você (Noel Rosa/Vadico, 1936)
    10. Notí­cia (Nelson Cavaquinho/Alcides Caminha/Norival Bahia, 1954)
    11. Errei… Erramos (Ataulfo Alves, 1938)
    12. Onde Está a Florisbela? (Geraldo Pereira/Ary Monteiro, 1944)
    13. Imperador do Samba (Waldemar Silva, 1937)
          Deusa do Cassino (Newton Teixeira/Torres Homem, 1938)

    Marcos Sacramento: vocals
    Luiz Flavio Alcofra: guitar
    Jayme Vignoli: cavaquinho
    João Hermeto: percussion
    Netinho: pandeiro

    Andréa Ernest Dias: flutes (7, 11)
    Jesse Sadoc Jr.: trumpet, fluegelhorn (1, 7)
    Silvério Pontes: trumpet (10)
    Zé da Velha: trombone (10)
    Roberto Marques: trombone (12)
    Sérgio Jesus: trombone (7)
    Marcelo Bernardes: tenor sax (1, 6)
    Pedro Paes: clarinet (1, 6)
    Rui Alvim: bass clarinet, clarinet (1, 3, 6)
    Josimar Carneiro: guitar (5)
    Carlinhos 7 Cordas: guitar (13)
    Marcilio Lopes: bandolim (11)
    Nicolas Krassik: violin (5)
    Marcos Nimrichter: accordion (5)
    Marcelinho Moreira: percussion (2, 11, 13)
    Musical direction & arrangements: Luiz Flavio Alcofra & Jayme Vignoli

    You can read more about Brazilian music and culture at
    Daniella Thompson on Brazil here:


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