RAPIDINHAS

    — But this is just work, love. I don’t come with any man, only
    with you. And I promise I won’t even kiss on the mouth. My love is only yours. And all I’m
    gonna think the whole time is when I will back home to you… If we don’t do it this
    way, I can’t do it… I don’t want to depend on you for living, and you are in no
    condition to provide for me now.
    By Júlio César Monteiro Martins

    Part 2 of 2

    — Oi!

    — Oi!

    — Você está me seguindo de carro desde a outra esquina…

    — É… É que eu achei você bonita… Muito bonita…

    — Você não estava sentado no Maxim’s mais cedo, junto com um coroa meio ruço
    que mexeu comigo?

    — Ha! Você me viu lá?… É, era eu, sim. Aquele outro era um amigo meu de
    muitos anos, o Alemão. Ele é uma pessoa engraçada, principalmente quando bebe. E ele
    já tinha bebido um bocado… Falou que queria te dar um beijo na boca… Você ficou
    chateada?

    — Eu? Não… E ainda bem que foi só na boca que ele falou… Aquele seu amigo
    toda noite senta ali e toda vez que eu passo ele diz a mesma coisa e na noite seguinte
    não lembra mais do que disse e repete tudo igual. É engraçado mesmo. Parece que sempre
    que ele me vê é a primeira vez… Acho que a bebida está estragando a memória dele.

    — Você já saiu com ele?

    — Não, nunca. E, pra dizer a verdade, eu nunca vi aquele cara saindo com
    ninguém. Acho que ele gosta é daquilo mesmo, de ficar ali olhando a gente passar

    — É, eu acho que sim… Mas se eu perguntar, ele vai dizer que não. Ele conta
    cada história… Acho que nem ele mesmo acredita nelas…

    — E ele deve esquecer que já contou e deve repetir as mesmas histórias todas as
    noites. Igual como ele faz com a história do beijo.

    — Exatamente. É preciso ter um pouco de paciência com ele. Mas ele é super
    legal. Quando eu conheci o Alemão, ele era diretor de cinema, fazia documentários muito
    bons, muito fortes, sobre o submundo, as favelas, o jogo clandestino, essas coisas…

    — Sobre as mulheres que fazem a vida também?

    — Também, claro…

    — Ainda bem que eu não era nascida naquela época…

    — Você é tão novinha…

    — Quantos anos você acha que eu tenho?

    — Deixa eu ver… Vinte e um.

    — Poxa! Você acertou… Foi o primeiro que acertou… Todo mundo diz que eu
    pareço ter dezoito, dezenove…

    — E parece mesmo.

    — Então como foi que você adivinhou?

    — Não sei. Observação.

    — Você observa muito as pessoas?

    — Eu vou muito ao cinema. Acho que é isso.

    — Que engraçado! Escuta, vamos dar uma saída?

    — Bem, eu… eu…

    — Você não disse que gostou de mim?

    — Gostei, gostei mesmo! Mas é que eu… é… quanto é?

    — Quanto é? Vinte dólares. Tá legal pra você?

    — Tá legal… Mas é que eu…

    — Olha… Como é o seu nome?

    — Alexandre.

    — Olha, Alexandre. Eu costumo cobrar cem dólares. Eu estou cobrando vinte porque
    eu… sei lá… eu fui com a sua cara… Você parece uma pessoa legal…
    Vamos?

    — Está bem. Entra aqui.

    — Você vai me levar pra algum motel?

    — Motel? Não! Eh… Não. Eu vou te levar pro meu apartamento. Tá bom pra
    você?

    — Está ótimo. Onde você quiser.

    — Quanto tempo… você vai poder ficar comigo?

    — Hum. São duas horas agora. Você me deixa de volta antes das cinco, tá?

    — Antes das cinco… Tá legal. Como é o seu nome?

    — Isabelle.

    — Isabelle… Não é um nome muito brasileiro.

    — Ah, eu acho que com você eu não preciso dessa frescura. O meu nome é
    Conceição.

    Isabelle é o meu nome de guerra por aqui. Um deles…

    — É. Conceição eu gosto mais. Eu fico contente por você ter confiado em mim e
    dito o seu nome verdadeiro. Muito prazer, Conceição.

    — Muito prazer, Alexandre.

    — Você já reparou como a lua está bonita esta noite?

    — Já… Parecem dois chifrinhos no céu…

    — É o crescente oriental. Os árabes adoram esta lua. Eles pintam o crescente em
    todas as bandeiras dos países deles. Toda vez que eu vejo a lua assim, eu me imagino num
    oásis do deserto, entre as odaliscas, num conto das Mil e Uma Noites.

    — Eu vi um filme uma vez na televisão que tinha essas "odaliscas", com
    um véu, não é? Elas dançam de um jeito muito bonito.

    — Você gosta de dançar?

    — Eu adoro. Quando eu cheguei no Rio eu fui dançar numa boate, a Barbarella…

    — Já ouvi falar.

    — Pois é, mas não era legal não. A gente ficava muito exposta. Eu prefiro um
    homem de cada vez. Senão parece um circo. Parece que a gente está sendo leiloada.
    Aliás, parece não, está! A cafetina fazia o maior leilão por fora enquanto a gente
    estava dançando, e a gente depois nem sabia. Não via nem a cor do dinheiro. Por isso que
    eu parei. Não gosto de boate, não. Prefiro trabalhar na rua. Ou então na discoteca
    Help, que a gente fica mais livre pra escolher. Vamos dançar?

    — Eu não sei dançar direito.

    — Então quando a gente chegar na sua casa, você coloca uma música legal, que eu
    vou dançar pra você, tá?

    — Dançar pra mim? Tá ótimo!

    — Dizem que eu sou muito sensual dançando…

    — Eu posso imaginar! Só de te ver andando, eu…

    — Você o quê?

    — Ah, você sabe, Conceição…

    — Eu sei sim. Eu vi os seus olhos naquele bar.

    — Chegamos. Pode entrar.

    — Minha Nossa, que bagunça!

    — Ah, desculpe… Eu devia ter avisado. É que eu trabalho a semana inteira e…

    — Mas é uma bagunça linda! Tem tanta coisa bonita espalhada por aqui, que a
    gente nem sabe pra onde vai olhar primeiro. Esses quadros, são lindos!

    — São posters… Eu ainda não ganhei dinheiro para comprar quadros de
    verdade….

    — E esses bichinhos de barro… Que gracinhas!

    — São feitos pelos índios. Artesanato kadiwéu.

    — Você tem muitas coisas bonitas… Tantos livros… E esses desenhos…

    — São feitos a pastel. Uma espécie de lápis de cera, sabe? Esses fui eu que
    fiz…

    — Você?! Você que fez esses desenhos todos?… Poxa, Alexandre, então você é
    um artista?…

    — Bom, eu gosto de desenhar. Quando eu tinha tempo…

    — Que coisa linda! Este parece uma floresta… E este é um coração batendo no
    peito de uma mulher, certo?

    — Certo.

    — Que legal! Eu acertei! Você trabalha como artista?

    — Na verdade não. Eu atualmente trabalho em processanento de dados numa empresa.
    Computadores, sabe?

    — Sei, mas não gosto muito. Acho meio chato. Prefiro você como artista… Coloca
    uma música…

    — Que tipo de música?

    — Uma música lenta.

    — Bom, este é um disco que eu gosto muito. Chama-se "Mágico".

    — Quem é que toca?

    — É o Egberto Gismonti e uns outros, acho que são alemães…

    — Poxa, e você tem uma rede dentro de casa. Eu adoro rede! Me lembra a minha
    infância lá na Bahia. Posso sentar na rede?

    — Claro!

    — Senta aqui comigo. Vamos ouvir a sua música.

    — Está gostando?

    — Ai, que música linda! Parece que a gente está voando… Ainda mais aqui na
    rede… Hum… Como é gostoso… Posso tirar a roupa?

    — Claro!

    — Tira a sua também…

    — Pronto… Você é tão bonita…

    — Você também… Tem um rosto tão fino, um olhar assim… inteligente,
    brilhante, e uma voz… Hum… que parece com essa música…

    — Posso te dar um beijo?

    — Claro, vem… Ahh… Eu já estava louca pra te beijar, desde aquela hora lá no
    carro. Fiquei com medo que você não me convidasse pra entrar… Ainda bem que você
    gostou de mim…

    — Deixa eu te beijar de novo…

    — Vem cá… Ahhh, que beijo gostoso… Faz mais…

    — Eu estou até meio tonto…

    — Então vem, entra dentro de mim… Vem… Entra todo… Assim… Agora me
    beija…

    — Alexandre, eu já perdi a conta das vezes que a gente fez amor hoje…

    — Eu também… E eu olho pra você, esse rosto tão bonito, esse cheiro no seu
    cabelo… Que eu sempre quero mais. Se eu pudesse, não saía mais de dentro de você.
    Nunca mais.

    — Que coisa mais linda! Você fala de um jeito tão bonito… Você é diferente,
    tem classe, sei lá… Sei que você é diferente… Parece um príncipe… Bom, você é
    artista… Eu nunca saí com artista antes…

    — É mesmo?

    — É… Você deve ter um monte de mulheres atrás de você o tempo todo, não é?

    — Ah… Bom… Acontece, né?

    — Eu sabia! Claro! Elas não devem te deixar em paz… Um homem como você…
    Devem ser aquelas bonequinhas ricas, de família, inteligentes como você… Me diz uma
    coisa: por que foi que você saiu comigo então?

    — Eu gostei de você. Logo que te vi passando.

    — Você costuma apanhar mulheres na rua, assim?

    — Não, foi a primeira vez…

    — A primeira vez?! Sei! Você diz isso pra todas…

    — Mas é verdade, Conceição…

    — É… Pode até ser… Um homem como você não precisa sair com prostitutas.

    — Não fale assim sobre você mesma.

    — Mas é verdade! O que é que você quer que eu diga? Esse é o meu trabalho. Eu
    sou prostituta.

    — Essa palavra é tão pesada… Não combina com você… Você é uma mulher,
    só isso… E eu confesso a você que, estranhamente, o fato de saber que você trabalha
    nisso não está me causando nenhum problema. É esquisito… mas eu estou achando tão
    normal. É tão… verdadeiro, que não me causa nenhum mal-estar. Pelo contrário. Você
    é uma profissional. Muito pior são as amadoras, que não se assumem e nem fazem as
    coisas direito…

    — Você está pensando em alguém?

    — Não, não… É só uma observação. Você é o que é, sem disfarces, sem
    hipocrisia, e isto, não sei por quê, me dá uma sensação de paz, de segurança…

    — Pois é… Você me acha uma boa profissional. Mas eu sei que eu não sou. Eu
    não dou pra esse negócio… Estou já no Rio há oito meses, fazendo a vida, e ainda
    não me acostumei. Estou doida pra voltar pra minha terra, sei lá, casar, ter filhos, ter
    uma vida normal.

    — Sério? E onde é a sua terra?

    — Eu vim de uma cidadezinha, uma praia do Sul da Bahia, chamada Caravelas. Nós
    éramos muito pobres lá. Mas eu era feliz. Meu pai é pescador, e no verão nós
    montávamos uma barraquinha de peixe frito para os turistas. Eu ajudava a minha mãe na
    barraca. Eu limpava os peixes, cortava e ela fritava. Nós só vendíamos peixe frito com
    cerveja ou então cachaça, e ganhávamos no verão mais dinheiro que no resto do ano
    inteiro. Era tão bom! Eu era uma moleca. Subia na árvore pra comer jaca no pé. Até
    subir em coqueiro para apanhar coco eu subia.

    — E por que você veio pra cá?

    — Ah, foi uma amiga… Ela tinha vindo antes, junto com uns turistas… A
    Nilzete… Ela é bem atrevida, sabe como? Bem saída, alegre assim… Depois ela voltou
    pra lá e me trouxe com ela. Nós viemos de carona de caminhão, você acredita? Ela me
    atiçou. Eu estava doida pra conhecer o Rio. Lá em Caravelas passa muita novela de
    televisão, e eu queria conhecer os artistas…

    — E conheceu algum?

    — Conheci, lá na boate, mas não achei graça nenhuma… E depois, quando nós
    chegamos da Bahia, tinha uma cafetina…

    — Eu acho essa palavra tão engraçada, "cafetina"…

    — Por quê?

    — Sei lá. Acho que é por causa de um filme que passou quando eu era criança,
    uma comédia chamada "O Enterro da Cafetina"… É uma palavra pouco usada fora
    dos círculos… como direi… específicos da sua área de atividade.

    — Nossa, que complicado! Bom… Mas essa cafetina deu vestidos pra nós, ensinou a
    gente a dançar, a falar, a comer com educação, segurando o garfo direitinho, porque
    até eu vir pro Rio eu só comia com a mão. Até hoje eu só gosto de comer com a mão.
    Quando eu estou sozinha… Mas, sabe como é, pra sair com os gringos, que só levam a
    gente a restaurantes finos, tem que saber segurar os talheres, comer com a boca fechada,
    não falar de boca cheia, essas coisas todas, que foi ela quem ensinou. Tem umas coisas de
    sexo que ela ensinou também.

    — E até hoje ela é sua cafetina?

    — Até hoje. Cafetina não solta a gente assim não, Alexandre… Por isso é que
    eu quero sair daqui e viajar. Ou então voltar pra Caravelas.

    — Ela fica com uma parte grande do que você ganha?

    — Metade. Mas só que com a outra metade eu tenho que pagar aluguel, condomínio,
    comida, maquiagem, roupas, tudo… E quase não sobra nada.

    — Eu imagino então que você tenha que sair cada vez com mais homens por noite
    para sobrar dinheiro além das despesas…

    — Não, não é só com quantos você sai. Os italianos e os suíços pagam até
    cento e cinqüenta dólares. Com os alemães, espanhóis, outros gringos, sabe, já é
    mais fraco… Cem dólares, às vezes até menos. Brasileiro é um horror pra pagar. Eu
    só saio com brasileiro se eu gostar muito do cara, mas aí já é por outras razões.

    — Que razões?

    — Ah, sei lá… Atração, tesão… Se eu acho um homem interessante assim, que
    nem você… Aí eu saio.

    — Bom, você disse há pouco que não se considerava uma boa profissional. Mas
    pelo jeito…

    — Sabe o que é? É que eu sou muito derretida. Muito emocional, assim,
    romântica, sentimental, sei lá… Puta não pode ser assim não. Acaba pobre e sofre
    muito. Por exemplo, eu tenho horror a homem muito velho. E são os que pagam melhor,
    sabia? Teve um que queria que eu fosse morar com ele. Tem uma mansão linda lá em São
    Conrado, com piscina com cascata e tudo. Falou pra eu cozinhar pra ele, que ele me dava
    uma pensão alta e ainda me deixava sair à noite. Ele falou que "comprava o meu
    passe" da cafetina. Mas o velho roncava tanto à noite que eu tinha vontade de dar um
    soco nele… Aí, de manhã, antes dele acordar, eu fugi de casa… Não apanhei nem o
    dinheiro. Eu não dou pra esse negócio… Isso é bom pra Nilzete, que parece que nasceu
    pra isso.

    — Você às vezes me parece tão pura… Tão mais pura do que as pessoas que eu
    conheço…

    — Eu? Pura?

    — É… Você tem uma beleza pura, primitiva, natural, tanto por fora quanto por
    dentro…

    — Hum… Que interessante… Nunca ninguém me falou isso.

    — Mas é verdade… Escuta, Conceição. Já são cinco e quinze da manhã. Você
    me pediu que eu te deixasse lá às cinco horas. Mas eu gostaria muito que você dormisse
    aqui comigo. Eu vou ficar muito feliz se puder dormir e acordar ao seu lado. Tem uma outra
    coisa que eu preciso te dizer: quando eu convidei você para entrar no meu carro, eu não
    tinha os vinte dólares que você pediu. Eu sei que fiz mal. Mas se eu não mentisse
    naquela hora, eu perderia você pra sempre. Na verdade, eu não tenho dinheiro nenhum. Eu
    ganho pouco e o meu salário voa todo nas contas do início do mês. Mas se você quiser,
    pode escolher o poster ou o desenho que você mais gostar e levar contigo. É só o que eu
    posso fazer pra te pagar…

    — Hum… Olha, Alexandre, você agiu muito errado…

    — Eu sei.

    — Não se sai com uma prostituta sem o dinheiro combinado. Nós vivemos disso. É
    a nossa profissão. Se em vez de mim fosse outra, você corria o risco dela fazer um
    escândalo aqui no seu apartamento, daqueles de acordar o prédio inteiro e chamarem a
    polícia. É bom você ficar sabendo disso. Mas, quanto a mim, como eu te disse, eu não
    tenho muito jeito pra esse negócio, então eu vou aceitar o quadro que você me ofereceu,
    aquele da mulher com o coração, e vou aceitar também dormir com você hoje.

    — Mas você não precisa, se não quiser.

    — Eu sei, seu bobão. Mas eu quero. Será que você não notou ainda? Eu sou um
    fracasso como puta. Eu estou apaixonada por você. Pronto. Falei. Agora eu vou até a
    cozinha ver o que você tem lá e preparar alguma coisa pra gente comer antes de dormir.

    — Conceição…

    — O que é, seu pilantra sem-vergonha?

    — Eu também estou apaixonado por você.

    — E eu já sabia antes que você não tinha dinheiro…

    — Oi, meu amor.

    — Oi, meu amor.

    — Já acordou há muito tempo?

    — Mais ou menos. Estava te olhando dormindo. Tão bonita… Fiquei esperando você
    abrir os olhos.

    — É tão bom acordar e ver você… Que horas são?

    — Quase oito da noite. Que hora de acordar, hein…

    — É a hora que eu acordo mesmo. Não, mentira. Em geral eu acordo lá pelas cinco
    da tarde.

    — Você quer um café? Um chá?

    — Você tem um olhar tão bonito. Parece artista de televisão. Tem uns cílios
    compridos. Um olhar meio triste.

    — Mas eu não estou triste. Eu estou muito feliz.

    — Que bom ouvir isso…

    — Eu fiz um chá, quer?

    — Não, eu quero você. Vem! Sobe aqui…

    — Alô, Ramiro. É o João Paulo.

    — Ô, João Paulo. Tudo bom?

    — Tudo. Desculpe eu te incomodar no domingo. Você está aonde?

    — Estou numa churrascaria, com a minha família.

    — Tá legal. Eu vou falar rápido. Eu andei pensando no caso do Wagner…

    — Espera aí, que aqui está muito barulhento. Eu vou até o banheiro e a gente
    conversa…

    — Alô, Ramiro? Tudo bem?

    — Tudo bem. Estou sentado na privada. O que é que tem o Wagner?

    — Eu andei pensando naqueles negócios que a gente fez com a Brazil Jet. O
    negócio pode complicar pra empresa. Cheques de "fantasmas", essas coisas. Os
    homens agora resolveram levantar tudo. Começou a temporada de "caça às
    bruxas". E se o Wagner numa dessas disser que também é sócio, ele pode ser chamado
    pra depor e colocar a empresa no fogo… Então a gente tem que tirar isso da cabeça
    dele. Eu pensei o seguinte: amanhã ou terça você chama ele pra uma conversa e diz que a
    empresa vai descentralizar as atividades, abrir um sistema de franquias, e que cada sócio
    vai ficar com um certo número de concessões de franquias, como proprietário das
    concessões, que ele vai poder implantar ou negociar com outros como quiser, tudo isso em
    troca da cota dele de participação na empresa. Aí você mostra pra ele documentos
    assinados por mim e por você abrindo mão das nossas partes e faz ele assinar um
    documento igual. Depois a gente rasga os nossos e fica com o dele na mão. O que é que
    você acha?

    — Tá bem bolado. Mas será que ele aceita?

    — Mas não tem o que "aceitar"… É uma mudança estrutural da empresa,
    com contrato social novo e tudo. Você apresenta pra ele como fato consumado…

    — E o tal sistema de franquias, vai ser feito mesmo?

    — Tanto faz, Ramiro. Isso depois a gente vê. Isso é o de menos. O importante
    agora é tirar o Wagner da jogada…

    — Vamos fazer o seguinte. Vamos almoçar juntos amanhã. Até lá eu penso nisso.
    E aí você elabora melhor o plano e me explica. Eu tenho que voltar lá pra mesa.

    — Tudo bem. Amanhã, meio-dia, no Antonino.

    — Combinado. Tchau.

    — Sonho com açúcar e canela… Que delícia! Eu nunca podia pensar que um homem
    soubesse fazer sonhos…

    — Aprendi com a minha mãe.

    — Qualquer dia desses eu vou fazer uma moqueca de peixe pra você. Você deixa?

    — Claro.

    — Eu juro que não faço muita bagunça na sua cozinha…

    — Ela vive bagunçada mesmo…

    — Sabe, Alexandre. Eu não posso me envolver muito com você, porque eu acho que
    vou viajar no mês que vem. Aqui no Rio não dá mais. Fora do verão, dá muito pouca
    grana…

    — Você vai pra onde?

    — Não sei ainda… Ou pra Espanha ou pra Porto Velho…

    — Poxa, que extremos! Deixa eu ver se entendo direitinho… Na Espanha o que é?

    — É que uma amiga minha que está morando lá chegou no Rio pra passar um mês e
    quer me levar com ela. Disse que lá está ótimo.

    — Sabe, Conceição, eu às vezes leio nos jornais sobre esta coisa de brasileiras
    na Europa. Elas vão cheias de ilusões, chegam lá e viram escravas brancas, entende?
    Longe do país, não têm como se defender, e ficam dependendo de um esquema lá, de uma
    máfia, que as explora. Elas ficam bem por um tempo, mas no final acabam drogadas e
    perdendo tudo. Essa máfia não deixa você voltar de lá com dinheiro acumulado. É tudo
    uma armação… E Porto Velho?

    — Porto Velho tem o garimpo. Lá tem muito homem sozinho. E a gente recebe em
    ouro. E às vezes até casa por lá, com um deles. Sério! Isso aqui, pra mim, não tem
    futuro…

    — Garimpeiros… Posso até imaginar… Você indo pra cama com aqueles homens
    imundos, doentes, desdentados, que pulam em cima de você só atrás de um buraco onde se
    enfiar. Parecem porcos no cio… Você tem muito estômago pra agüentar isso…

    — Mas é bom.. Eles são pessoas corretas… Têm palavra… É gente simples como
    eu… E a gente ganha muito dinheiro… Será que você não entende isso?

    — Eu entendo. Só não entendo é você dizer que não dá pra esse negócio e
    ficar fazendo planos desse tipo. Eu prefiro que você nem me conte…

    — Ah, é? Se eu não conversar sobre isso com você, vou conversar com quem? Com a
    cafetina? Sabe, Alexandre, de todos os tipos de homem, pra mim você é o pior. Você é
    igual aos outros, só quer me usar, e eu não ganho nada com isso…

    — Eu? Só quero te usar? E você, não está me usando também não? Você me acha
    um lixo, por acaso? E outra coisa, a razão por quê eu não gosto que você me conte
    esses planos de viagem é porque eu sofro quando penso que vou ter que ficar longe de
    você. Só isso. Não porque eu não queira escutar os seus problemas. É claro que eu
    escuto…

    — A Nilzete é que está certa. Ela sempre diz pra eu ter cuidado com homens como
    você, que têm uma conversa danada, levam a gente no papo, usam a gente de graça, e
    depois tchau! É só enjoar, e jogam na cara da gente na primeira oportunidade que a gente
    é puta e que não vale nada…

    — Conceição, você pensa isso mesmo de mim?

    — Ah, não sei… Eu estou confusa, insegura… Eu não sei…

    — Você tem que pensar pela própria cabeça e decidir por si mesma o que
    você quer. Essa Nilzete e as outras vivem te enchendo o ouvido de besteira, fazendo a sua
    cabeça, que é pra você não sair nunca mais desse tipo de vida. Ou você pensa que elas
    não ganham dinheiro por fora pra te levar nessas viagens? Claro que elas ganham por cada
    mulher que elas aliciam. Elas só te puxam pra baixo o tempo todo e você não vê…

    — Não vai dar certo, Alexandre… O que é que você pode querer com uma garota
    como eu? Você é da elite. Eu não tive educação nenhuma… Ter caso com um homem de
    elite não dá certo… É só por um tempo, e logo eles cansam da gente…

    — Eu não vou me cansar de você… Eu gosto de você… Mas pensa bem,
    Conceição. Mesmo se for como você diz, o que é que você tem a perder por tentar?…
    Que é isso?… Você está chorando?…

    — Eu… não acredito… que você goste… de mim… de verdade…

    — Ô, meu amor… Ô, meu amor… Não chora não…

    — Você… é muita coisa… pra mim…

    — Ô, meu amor… Pára com isso… Olha… Olha pra mim… Eu tenho uma proposta
    pra te fazer. Vamos morar juntos. Amanhã mesmo. Você se muda pra cá ou a gente aluga
    outro apartamento. A gente não se separa mais. Palavra de garimpeiro!

    — Você jura que você quer isso?

    — Claro! Foi o destino quem colocou você na minha vida. E eu sabia que ele não
    ia falhar comigo. Você aceita?

    — Eu aceito. Mas como é que nós vamos fazer?

    — Bom, eu não tenho dinheiro pra "comprar o seu passe" da cafetina…

    — Não, isso eu dou um jeito… Eu estou pensando é como é que nós vamos
    viver… Você ganha pouco. Eu tenho algum dinheiro que economizei, mas um dia ele
    acaba…

    — A gente vai dar um jeito. Se for preciso eu vendo o carro…

    — Escuta… Você não falou que gosta de mim do jeito que eu sou?

    — Falei.

    — Você não me conheceu trabalhando?

    — Conheci.

    — Então, por que é que você não me deixa trabalhar, pelo menos até você
    melhorar a sua situação? Trabalhando eu posso ajudar mais…

    — Pô, eu não sei… Aí quem precisa ter estômago sou eu…

    — Mas é só trabalho, meu amor. Eu não gozo com homem nenhum, só com você. E
    prometo que nem beijo na boca eu dou. O meu amor é só seu. E só o que eu vou pensar o
    tempo todo é na hora de voltar pra casa, pra você… Se não for assim, não vai dar…
    Eu não quero viver sustentado por você, e nem você tem condições de me sustentar
    agora…

    — Mas será que eu agüento isso?

    — Claro que sim. É a minha profissão. Como se eu fosse massagista ou enfermeira,
    entende?

    — Não é a mesma coisa…

    — É sim! É a mesma coisa!

    — Você não tem medo de pegar Aids?

    — Eu me cuido.Não tem perigo. Eu só transo com preservativo.

    — Mas comigo você não exigiu preservativo…

    — Eu sabia que você ia dizer isso… Mas é que eu sabia quem você era. De
    homem, eu entendo, não se esqueça disso. E você, não correu risco comigo também?

    — Corri. Mas foi um risco calculado.

    — Então. O meu também foi um risco calculado… Mas eu prometo que eu não corro
    esse risco com mais ninguém. Além disso, eu não sou louca. Eu não quero morrer!

    — Está bem. Eu deixo você trabalhar. Três dias por semana, tá bom?

    — Tá ótimo! Eu só preciso do fim-de-semana. Mas você trabalhando a semana
    inteira, não vai fazer questão de ficar comigo nos fins-de-semana?

    — Eu vou largar o emprego amanhã. Eu já estava pra fazer isso. Assim, nós
    teremos os dias da semana inteiros para ficarmos juntos, os dois sem trabalhar. Enquanto
    isso, eu vou ficar de olho num emprego melhor. E se precisar, como eu te falei, eu vendo o
    carro.

    — Sabe o que eu queria? Que você voltasse a fazer esses desenhos. Eles são tão
    lindos! Eu tenho certeza de que daqui a pouco você vai ganhar muito dinheiro com eles.

    — Você acha? Já faz tempo que eu não desenho… Mas, tá legal. Eu vou voltar a
    desenhar. Nos fins-de-semana, tá?

    — Quando você quiser, meu amor. Você é um artista… Eu não vou deixar você
    desperdiçar o seu talento…

    — Meu Deus, que loucura… Isso parece um sonho…

    — Um sonho… Ou vai ver que é o tal "destino" que você falou…

    — Entendeu agora, Ramiro? Não tem jeito. Vai ter que ser assim.

    — Eu já tinha entendido desde o começo. Eu só queria ver se não tinha furo
    nenhum no esquema. Tudo bem. Até o fim desta semana eu converso com o Wagner. Eu não vou
    fazer isso agora, porque eu preciso que ele resolva umas coisas pra mim. Antes que ele, de
    repente, se empombe e puxe o carro…

    — Ele não vai fazer isso. Ele vai ficar com o salário dele. A gente pode até
    dar um aumentozinho como prêmio de consolação. É como você disse aquele dia, ele já
    está velho, não vai botar em risco o emprego… Ele caiu muito nestes dois anos. Não
    vai ter pique pra procurar outra coisa… Mas o que é que você precisa que ele faça pra
    você?

    — Eu quero que ele dê um duro numas pessoas lá. Eu botei uma funcionária lá
    pra fazer umas demissões pra mim, mas ela é muito fraquinha. Eu vou deixar ela terminar
    esse serviço e depois vou pedir pro Wagner demitir ela.

    — Por que você mesmo não demite?

    — Não, deixa o Wagner fazer isso… Eu não quero me aporrinhar com demissão…

    — Isso está me cheirando a outra coisa… Você comeu a menina, não gostou, e
    agora não tem cara pra se livrar dela…

    — Ô, João Paulo… Ô, meu irmão…

    — Calma lá, eu não sou vascaíno não… É ou não é o que eu estou dizendo?

    — É isso mesmo…

    — Não gostou da gatinha por quê?

    — Ah, ela é legal. É bonitinha. Mas tem uma cabeça meio complicada… Sabe
    mulher quando complica as coisas? Vem com aqueles papos…

    — Não é nada disso. Você só queria comer a moça e pronto. Porra, Ramiro.
    Pensa que eu nasci hoje? Já te conheço de outros carnavais… Você vive fazendo isso…
    Não gosta de trabalhar com mulher que já comeu. É o seu jeito. Deve ter lá as suas
    razões. Só aquela tal de Sandra você não comeu porque ela é o maior jaburu, o maior
    canhão que eu já vi… É por isso que ela está lá até hoje. E porque ela já viu
    coisas demais, já sabe demais, não é não?

    — Porra, João Paulo…

    — Ô, Ramiro, eu sou puta velha… Te conheço, cara. Agora, você cuidado, hein!
    Você fica usando as pessoas, e a qualquer hora isso volta contra você…

    — Volta nada rapaz… O que volta é ioiô…

    — Tá legal. Isso é problema seu. Só que eu realmente gostaria que você
    resolvesse o caso do Wagner até o final da semana. Prepara os documentos e manda lá em
    casa que eu assino. Manda o seu já assinado pra eu dar uma olhada também.

    — Tá desconfiando de mim, João Paulo?

    — Eu não confio nem na minha mãe, quanto mais em você. Faz o que eu estou
    falando e depois me conta como é que foi o papo com o Wagner, tá legal?

    — Tá legal. Deixa comigo.

    — Oi, Alexandre. Vamos almoçar juntos?

    — Eu estive esperando pra falar com você a manhã inteira. Mas você mudou de
    sala… Vamos conversar um pouquinho aqui antes do almoço.

    — Ué, você limpou a sua mesa? Quem te contou?

    — Contou o quê?

    — Ah… Nada não… Você está saindo do emprego?

    — O que é que você acha, Cláudia?

    — Acho que está… Mas não é por minha causa não, é?

    — Não. É por minha causa. Já cumpri todas as penas do purgatório. Vou pedir as
    minhas contas ao seu Wagner agora.

    — Olha, Alexandre… Eu acho que eu posso facilitar isso pra você…

    — Ah é? Que bom!

    — Está aqui um envelope com os doze dias deste mês. Dá uma conferida aí e
    assina o recibo, tá?

    — Tudo bem. Você foi promovida mesmo, hein…

    — É, parece. Mas eu estou angustiada.

    — É a síndrome da transformação. Acontece com toda galinha que resolve virar
    raposa.

    — É? E as que não resolvem, fazem o quê? Esperam ser depenadas e irem pra
    panela?

    — São comidas de qualquer jeito. Mais cedo ou mais tarde.

    — Eu estou sobrevivendo, Alexandre…

    — Você não precisa se justificar. Pelo menos, não pra mim. Você nem pode
    imaginar o quanto eu tenho me tornado tolerante nesses casos. De qualquer modo, eu me
    sinto duplamente aliviado: por cair fora desta senzala, e por não precisar mais
    acompanhar de perto o seu estilo de "sobrevivência". . .

    — E o que você vai fazer agora?

    — Eu? Vou ficar em casa desenhando por um tempo. Eu desenho, você sabia? E depois
    talvez vá viajar…

    — Pra onde?

    — Não sei. Espanha ou Porto Velho

    — Que viagem mais esquisita…

    — A vida é esquisita mesmo. E o Doutor Ramiro? Está te tratando bem?

    — Ele é um boçal, como você disse.

    — Você já colocou a bandeirinha do Vasco na sua mesa?

    — Pára com isso, Alexandre.

    — Você está com problemas de consciência, né? Posso te dar um conselho? Encare
    tudo isto profissionalmente, como se você fosse uma massagista ou uma enfermeira…

    — Que conversa esquisita, Alexandre…

    — Guarda o que eu disse. Vai te ser útil.

    — Vamos almoçar? Eu quero te contar o que está acontecendo.

    — Não, eu vou almoçar em casa. Não agüento mais esses restaurantes do Centro.
    A gente fica parecendo uma multidão de famintos da Somália esperando a vez de receber
    uma tigelinha de arroz de um avião da ONU. Eu vou fazer um bom espaguete na minha casa,
    sem pressa…

    — Posso ir comer um espaguete com você na sua casa no domingo?

    — Não, domingo é dia de jogo do Vasco. Você vai estar ocupada.

    — Alexandre, você está sendo muito duro comigo…

    — Fica tranqüila. Você vai sobreviver. Todos nós vamos sobreviver. O destino se
    encarrega disso.

    — O destino a gente escolhe.

    — Às vezes ele escolhe a gente. Sabe como é… Um dia, escravo, outro dia,
    feitor… Um dia garimpando no lugar errado, outro dia a pepita de ouro aparece… E a
    gente come uma moqueca de peixe pra comemorar… Agora eu vou seguir o conselho de um
    velho amigo meu, que eu não posso repetir pra você… Um beijo. Te cuida.

    — Boa sorte!

    — Eu tenho!

    — Eu estou desconfiado de que esse negócio que você está me propondo é uma
    sacanagem. Uma punhalada nas costas. Senão vocês teriam me chamado pra decidir isso
    junto com vocês, e não me apresentariam assim a coisa já resolvida…

    — Que besteira, ô vascaino… Você acha que alguém aqui ia fazer sacanagem com
    você? Se fosse assim, a gente então está fazendo uma sacanagem conosco também, porque
    a mudança é igual pros três.

    — Eu preferia como era antes.

    — Como era antes, pode dar zebra a qualquer momento. O nosso código está nos
    disquetes que a Polícia Federal apreendeu na EPC. A gente tem que torcer pra eles não
    conseguirem decifrar o troço. Essa nova empresa em sistema de franquias, ô Wagner, é um
    bote salva-vidas pro nosso capital. Nós continuamos os três no mesmo barco. O barco é
    que mudou.

    — Ramiro, posso ser franco? Há muito tempo eu venho desconfiando de que vocês
    dois vêm me passando para trás. Aqueles balanços sempre negativos que você me
    apresenta… Eu só vejo você comprando carro importado, jet ski, casa em Angra, que
    porra é essa? Você acha que eu sou criança?

    — Você também comprou um carro zero este ano, e já encomendou um Omega todo
    equipado… Você não está ganhando dinheiro aqui? Então… E eu tenho um negócio pra
    você. Vinte por cento reais a mais no seu salário, e você esquece aquele papo de
    retiradas do lucro. Que aliás, você nunca faz mesmo… O que é que você está perdendo
    com isso? Nada!

    — Eu vou virar empregado a esse altura da minha vida?

    — Você sempre foi, Wagner. Caia na real.

    — Chega de conversa. Eu não quero mais papo não. Me dá essa merda desse papel
    pra eu assinar…

    — Ô, vascaino… Não fica puto não… Negócio é negócio…

    — Negócio porra nenhuma! Isto é chantagem. Vocês garfaram os meus quinze por
    cento, seus filhos-da-puta. Toma essa merda desse papel. Enfiem no rabo. Hoje eu vou sair
    mais cedo. Segunda-feira a cabeça está mais fresca, e a gente volta a conversar.

    — Mas nós não combinamos de domingo eu te apresentar ao Calçada?…

    — Eu quero que o Calçada se foda! Eu quero o meu! Aliás, eu quero que você e o
    João Paulo se fodam também, seus crocodilos.

    — Crocodilos?…

    — Oi, amor.

    — Quanto é?…

    — Cento e cinqüenta dólares.

    — Pago cem. Suíte do Champion, tá bom? Se não está, vai à merda.

    — Calma, querido. Tudo bem.

    — Entra aí.

    — Que carro lindo o seu… Adoro esse cheirinho de carro novo. Dirige devagar,
    tá? Que você já bebeu…

    — Devagar é o caralho! Não fode, porra…

    — Olha, se você for me tratar assim, pode parar aqui mesmo na Avenida Atlântica
    que eu vou saltar.

    — Tudo bem. Como é o seu nome?

    — Dominique. E o seu?

    — Meu nome é Wagner. Mas pode me chamar de boi-de-piranha…

    — Já sei. Você é o boi e eu sou a piranha, certo?

    — Hah, hah, essa é boa… Você até que tem humor, garota… Até que tem
    humor…

    This is the first time "Made in Brazil" (the original
    title) is published.

    Júlio César Monteiro Martins, the author, was born in Niterói, in the Greater Rio, in 1955. He
    has published several short-story books:
    Torpalium, Sabe Quem Dançou?,
    A Oeste de Nada, As Forças
    Desarmadas, and Muamba. Monteiro Martins is also the author of three novels:
    Artérias e Becos,
    Bárbara, O Espaço
    Imaginário and a volume of essays: O Livro das
    Diretas. He is one of the founders of the Brazilian Green Party and from
    1992 to 1994 worked as a lawyer for the Brazilian Center in Defense of Children’s Rights. He taught literary
    creation at the Goddard College in the US and is now a professor in Italy, teaching literary creation and Brazilian
    literature in the University of Pisa. He also teaches Literary Creation in Narration in Florence, Lucca, and Pistoia. Martins is the founder of Sagarana School
    (http://www.sagarana.net). You can get in touch with him writing to
    jmontei@tin.it

     

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