RAPIDINHAS

    Firing people is always unpleasant… But the company is
    bloated… The crisis is worse than we thought. The only way is to dry up the excess
    work force. I want you to talk to them. Wagner is too uncouth to deal with this stuff.
    Moreover, the company doesn’t have to justify the firings. All you have to do is to pay
    and send away. You’d better start getting used to this.
    By Júlio César Monteiro Martins

    — Mais um uisquinho?

    — Não, eu tenho que voltar lá pro escritório.

    — Eu soube que o Wagner andou falando pro Geraldo da Embratel que ele é sócio da
    empresa…

    — O Wagner?… Deixa ele…

    — Deixa ele não, Ramiro! Que porra é essa do Wagner? Ele é só um funcionário
    nosso.

    — Você se lembra do almoço que nós tivemos no Alcazar há uns dois anos, na
    época que a empresa estava numa merda federal, logo depois que o Collor assumiu e fez
    aquele confisco? Pois é, naquele almoço você prometeu quinze por cento do lucro
    líquido da empresa pro Wagner se ele continuasse com a gente. A Souza Cruz estava
    bancando a transferência dele pra lá, lembra?

    — Eu devia estar de porre…

    — De porre e apavorado. A gente não tinha saída. A empresa não podia nem de
    longe cobrir a proposta da Souza Cruz. Aí você perguntou o quê que ele queria pra
    ficar. Ele falou em vinte por cento. Ficou por quinze. Lá fora você ainda me disse que
    tinha ficado barato. E é só por isso que ele está lá até hoje. Ficou apalavrado
    contigo. E ele está até agora esperando os quinze por cento dele…

    — E você diz o quê pra ele?

    — Qualquer coisa… Digo que não teve lucro. Que o lucro está sendo reinvestido
    na empresa, mostro uns números lá…

    — E ele acredita?

    — Ele acredita no que ele quer acreditar… O Wagner está ficando velho… Tem
    medo de sair de lá agora. O mercado estreitou muito. Acho que no fundo ele já nem conta
    mais com essa grana. O que ele quer é se enganar que é sócio e poder repetir isso pra
    uns e outros… Pra nós, não altera nada. Não mexendo no bolso, está bom.

    — Não, Ramiro, não está bom não. A empresa cresceu. Os tempos são outros. A
    gente tem que cortar as asas do Wagner. A qualquer hora ele pode querer contestar uma
    decisão nossa, e aí? Ele pode até ser insuflado por um concorrente. Sabe como é, ele
    não prima pela inteligência…

    — Mas é ele quem mantém a casa em ordem, funcionando. Se ele se aborrecer e
    sair, você vai fazer o trabalho dele? Pé-de-boi? Não vai, né? Eu também não vou.
    Então, deixa ele pensar que também é dono. Não fede nem cheira… E até os outros
    funcionários respeitam mais…

    — É, eles morrem de medo dele… Cara feia aquele sacana sabe fazer…

    — Então, pra que causar um desgosto pro cara? Ele é capaz até de ter um
    infarto.

    — Derrame… O Wagner tem mais cara de derrame…

    — Deixa o cara pensar o que quiser… No fundo ele sabe que aquela conversa não
    valeu.

    — Você só está defendendo ele porque ele também é vascaíno, não é não?

    — Pode até ser… Vascaíno é tudo boa gente… Sabe o que é, João Paulo, é
    que capataz igual a ele está difícil de achar… E custa caro. Ele custa barato…

    — Falou tudo… Capataz… Tudo bem, vamos deixar como está pra ver como é que
    fica. Mas eu estou confiando em você que ele não vai trazer problema pra empresa…

    — Deixa comigo. Eu vou nessa.

    — Está falado, meu irmão.

    — Cláudia, você está muito ocupada?

    — Não, já estou terminando. Já está quase na hora do almoço… Vamos almoçar
    juntos?

    — Não posso. Vou pedir pro boy buscar um sanduíche pra mim. Estou cheio de
    serviço… Mas bem que eu gostaria…

    — Você não deve ficar comendo sanduíches, Alexandre. Se você deixar, eles te
    roubam todos os horários de almoço.

    — Eu sei. Mas depois da bronca que o Seu Wagner me deu ontem, eu fiquei
    apavorado…

    — É bom ir se acostumando.

    — Eu queria te convidar pra passar o domingo comigo. A gente podia ir ver a
    exposição do Chagall no Museu de Belas Artes…

    — Mas você não tem análise aos domingos?

    — Eu saí da análise. A grana está curta. Não deu mais.

    — O seu analista não dá um jeitinho pra esperar a sua situação melhorar?

    — Eu acho até que daria. Mas eu fico com vergonha de pedir. É o trabalho dele,
    não é?… Além disso, eu não tenho perspectivas de melhorar a minha situação tão
    cedo.

    — Vai te fazer muita falta a análise?

    — Vai. No momento vai… Tem alguns nós que eu precisava desatar com ele. Mas
    acho que vou ter que desatar sozinho…

    — Que tipo de "nós"?

    — Ah… Por exemplo… Há muitos anos atrás eu deixei de forçar as situações.
    De "dar murro em ponta de faca", entende? E resolvi deixar o destino fluir.
    Resolvi apostar na sabedoria da própria vida. Mas eu ando muito angustiado porque eu não
    consigo ver nenhuma lógica nos fatos da minha vida. Tudo me parece errático, sem
    direção. Nada é cumulativo. Tudo é acidental, e as coisas não se articulam. Não têm
    um sentido de conjunto. São relacionamentos que não dão certo e não deixam nada. São
    empregos mal pagos, dos quais eu acabo sempre sendo demitido por "contenção de
    gastos", ou sem explicação nenhuma. É como se eu estivesse sempre começando do
    zero e parando antes de contar até três. Cada evento é isolado dos outros, e os anos
    passam, e a minha vida parece estagnada…

    — Mas o país está estagnado… A sua vida é só um reflexo disso.

    — Mas eu não sou o país. Eu sou eu.

    — Você se engana. Você é o país. Todos nós somos. Todos dançamos a música
    que o país toca…

    — Eu gostaria de pensar como você. Me facilitaria as coisas. Mas eu acredito que
    o destino individual é mais forte que as circunstâncias históricas. Cada vida tem a sua
    lógica, em qualquer lugar, em qualquer tempo.

    — Mas você não acabou de dizer que a sua vida não apresenta nenhuma lógica?

    — Pois é… É isso o que eu não entendo… Aparentemente, eu tenho vivido como
    um cachorro correndo atrás do próprio rabo… Mas talvez o meu destino tenha uma lógica
    mais complexa, mais sutil, que a minha razão não consegue captar. Talvez esse conjunto
    de fracassos e de frustrações signifique alguma coisa, ou leve a algum tipo de
    conhecimento, de sabedoria…

    — Mas por que eles têm que "significar"? Por quê o destino tem que
    fazer algum sentido? Talvez seja só isso mesmo: uma seqüência de acontecimentos banais,
    ilógicos, irrelevantes e irracionais.

    — Você acha isso?

    — Por que não? Talvez a sua vida seja feita de espasmos, não de gestos. E é
    você quem quer descobrir em cada espasmo o sentido de um gesto, e fica frustrado porque
    não consegue. A idéia de "destino" deve ter servido muito bem para os gregos
    quando eles a inventaram, mas não serve mais pra nós. Olhe em volta, Alexandre. Você
    vê algum sentido? Você está procurando axila em cobra…

    — Que expressão engraçada… Axila em cobra…

    — Cala a boca que o Seu Wagner chegou!

    — O que é que vocês estão conversando aí?

    — Nada não, Seu Wagner. Eu vim apanhar o grampeador…

    — Que grampeador o quê… Você está é ocioso. Vou mandar passar mais trabalho
    pra você…

    — Mas eu já estou cheio de trabalho…

    — Então por quê não está trabalhando? Vai lá fazer o seu serviço. O
    taxímetro está rodando… No final do mês você vai querer o seu salário bonitinho…
    Estou cansado de alimentar vagabundo… E você, mocinha? Por quê não está trabalhando?

    — Mas eu estou…

    — Não me conteste, senão vai pro olho da rua. Tem gente assim querendo
    trabalhar… E é pra todo mundo aqui ouvir: eu não quero mais conversa fiada dentro da
    empresa. Quer conversar, conversa lá fora. Se não tiver trabalho, finja que trabalha,
    que é pra não atrapalhar os outros… E quem não estiver satisfeito, que peça as
    contas…

    — Posso ir pra minha mesa?

    — Eu estou de olho em você, hein rapaz…

    — Sim senhor.

    — Você é louco, Alexandre? Como é que você fala uma coisa dessas dentro do
    elevador?

    — Mas só tinha nós dois e o cabineiro…

    — E você queria mais? Você quer me comprometer? Quer que eu seja demitida?

    — Eu só disse que notei a maneira como o Doutor Ramiro olhou pra você…

    — E isso é coisa que se diga? A empresa toda vai pensar que eu estou dando mole
    pra ele…

    — Mas você sorriu de volta pra ele…

    — E o que é que você queria que eu fizesse? Uma careta? Além disso, eu detesto
    ser espionada… Acho que você anda confundindo as coisas. Está ficando muito dependente
    de mim, pegando no meu pé… Isso me enjoa. Assim você me atrapalha a vida… E além
    disso, ninguém aqui pode saber que a gente anda se encontrando lá fora. Ninguém,
    ouviu?…

    — Tá legal. Tudo bem. Eu não vou mais pegar no seu pé. Mas você não vai
    aceitar a cantada do Doutor Ramiro não, vai?

    — Isso é problema meu, Alexandre. E você não tem nada a ver com isso…

    — Mas aquele homem é horrível, com aquele barrigão, aquele bigode que parece
    sujo… E além disso, ele é um boçal… Quando o time do Vasco vence, ele entra aqui
    gritando: Vasco! Vasco!

    — Fala mais baixo, Alexandre… Você está me deixando nervosa… Eu nunca pensei
    que você fosse ter acessos de ciúme…

    — Mas eu não estou com ciúme.

    — Claro que está. Agora, escute bem! Se você não se importa em perder o
    emprego, eu me importo. Eu preciso desse salário, senão eu não tenho como sobreviver. E
    está dificílimo arranjar trabalho lá fora. Eu dei a maior sorte em conseguir este aqui
    e não estou disposta a colocá-lo em risco por sua causa. Agora, volte para a sua mesa
    antes que apareça alguém. Tenho muito trabalho pra fazer.

    — Você vai pra cama com aquele velho nojento só pra manter o seu emprego?

    — Eu não disse isso…

    — Vai, ou não vai?

    — Não sei, Alexandre. Quer que eu seja sincera? Acho que se for preciso, eu vou.
    Faço qualquer coisa. Eu sou uma sobrevivente. Vou colocar até uma bandeirinha do Vasco
    na minha mesa… Ele é o chefe… Ele é da alta cúpula da empresa. Dá pra você
    entender?

    — Dá… Mas isso é horrível.

    — Isso aqui é Brasil, não é a Suíça… Se bem que na Suíça hoje em dia não
    deve ser tão diferente assim… O ser humano é o mesmo em todo lugar… Você leu O
    Amante, da Marguerite Duras?

    — Eu vi o filme…

    — Pois é. Aquela menina era uma sobrevivente. Como eu. E não foi tão ruim
    assim… Ela acabou até se apaixonando pelo chinês rico…

    — Só falta agora você se apaixonar pelo Doutor Ramiro…

    — Se ele me tratar bem, quem sabe?… Tem um monte de funcionárias daqui atrás
    dele, sabia?

    — Claro. Ele é da alta cúpula da empresa…

    — Exatamente, Alexandre. Você está começando a entender as coisas. Agora volta
    pra sua mesa, pelo amor de Deus…

    — Wagner, aquela menina lourinha que está lá no setor de Processamento é
    estagiária ou contratada?

    — A lourinha, a Cláudia, ela está recebendo, mas sem carteira assinada. A
    Tesouraria paga em dinheiro vivo, que é pra não configurar vínculo empregatício. O
    pessoal de lá quase todo recebe assim.

    — Sei, mas ela é boa?

    — Em que sentido, Ramiro?

    — Ora, Wagner… Em que sentido pode ser? Ela é competente?

    — Mais ou menos… São todos uns folgadões…

    — É que eu estou precisando de uma pessoa comigo só pra cuidar dos contratos com
    as mineradoras. A Sandra não está dando conta de tudo sozinha… Além disso, a empresa
    está precisando dar um suporte melhor aos clientes grandes.

    — Mas tem gente aqui mais capaz do que essa moça pra fazer isso. Tem o Durval,
    que é muito tarimbado…

    — Não. Mulher é melhor pra esse negócio. O cliente prefere ouvir uma vozinha
    bonita, sabe como é…

    — Bom, por mim tudo bem. Mando transferir a moça amanhã mesmo para a sua
    seção. Mas ela vai precisar ser bem orientada, porque a área dela é completamente
    diferente da…

    — Pode deixar que eu mesmo oriento, Wagner. Diz só pra… Cláudia… não é…
    pra ela ir ao meu escritório logo que eu chegar. E não diga mais nada. Nem se é coisa
    boa ou ruim. Deixa ela ficar tensa um pouquinho…

    — Mas, ô Ramiro, o negócio é sério mesmo ou é só pra…

    — Ô vascaíno! Que é isso? Vamos fazer bastante dinheiro pra bancar a volta do
    Bebeto da Espanha pro Vascão, hein? Topas?

    — Claro, pô.

    — Ô, ô, ô, o Bebeto é um terror!

    — Se o Flamengo não contratar ele antes…

    — Flamengo? O que que há, Wagner… O Flamengo está vendendo até gandula…
    Aquilo lá só tem ladrão. Daqueles bem safados, que ainda raspam o fundo do tacho… Nem
    daqui a vinte anos o Flamengo vai ter bala na agulha pra comprar ninguém.

    — O Flamengo fez uma vaquinha e trouxe o Zico, lembra?

    — Mas o Bebeto já é patrimônio do Vasco… Além disso, aquilo foi em outra
    época… O tempo passa, você sabia?

    — É, a garotada agora só quer saber do vôlei…

    — Que nada, isso passa também… Ô, ô, ô, o Bebeto é um terror! Ô, ô, ô…

    — Quer um chopp também?

    — Não, vou tomar um guaraná… Eu estou dura. Você paga pra mim?

    — Um guaraná dá pra eu pagar. Pelo menos por enquanto. Sabe, aquela conversa que
    a gente teve hoje de manhã não me sai da cabeça…

    — Ô, Alexandre, você cismou com essa história do Doutor Ramiro. Não tem nada a
    ver. Que idéia! Eu não quero mais falar nesse assunto…

    — Espera aí. Só um pouquinho. Não é sobre o Doutor Ramiro que eu quero falar.
    É sobre você. Você tem inteligência, sensibilidade, cultura, princípios éticos… E
    de repente você me veio com aquela conversa de "sobrevivente", fazendo quase um
    elogio da prostituição.

    — Olha, você está me ofendendo. Eu não falei nada sobre prostituição. Se
    você me ofender mais uma vez, eu largo você sozinho aqui na mesa…

    — Desculpe… Eu nunca pensei em ofender você… É que você citou como exemplo
    a personagem da Marguerite Duras, a menina francesa em Saigon, que virou uma prostituta.
    Pelo menos no filme do Jean-Jacques Annaud…

    — Você entende tudo errado, Alexandre. O ciúme está te deixando cego. Eu citei
    aquela personagem apenas num sentido simbólico, na medida em que ela demonstra que o ser
    humano é capaz de suportar, de superar qualquer coisa, e de transformar um sofrimento
    inevitável numa fonte de prazer. Só isso.

    — Sei… Mas esse não era o caso da menina de O Amante, porque ali só
    havia prazer. Ela jamais menciona qualquer sofrimento. Acho que você então escolheu o
    exemplo errado.

    — É, pode ser… Um lapso literário…

    — Ou quem sabe um lapso freudiano… Um ato falho.

    — Eu já disse que te deixo falando sozinho aqui e vou embora…

    — Está bem… Está bem… Desculpe novamente. Eu prometo que não toco mais
    nesse assunto. É que eu estou tentando te conhecer melhor.

    — Está tentando da maneira errada.

    — Tudo bem. Vamos falar de outra coisa. Você foi à esposição do Krajcberg no
    MAM?

    — Não, eu não tenho ido a exposições. Tenho ficado em casa lendo e
    acompanhando a "novela" da queda do Collor pela televisão.

    — O que é que você está achando?

    — Não sei. Acho que ele cai. Mas eu estou torcendo para que dez milhões de
    pequenos "collors" caiam com ele. Senão o país vai acabar em
    "pizza". Mas eu acho difícil que o país mude tão profundamente. O Brasil é
    safadinho mesmo…

    — O que é que você está lendo?

    — Um romance norte-americano chamado Vox, sobre relações sexuais pelo
    telefone.

    — É possível isso?

    — Sei lá. Pelo menos é seguro. Mas a conta do telefone deve vir altíssima no
    fim do mês, e sobre isso, é claro, o livro não fala nada.

    — Cláudia, eu preciso te dizer uma coisa muito difícil pra mim… Eu cheguei à
    conclusão de que eu estou apaixonado por você.

    — Ô, Alexandre… Que coisa bonita… Mas é triste também… Porque eu não
    estou apaixonada por você… E mesmo se estivesse, tenho que ser franca: este seria o
    pior momento para me apaixonar por um homem na sua situação.. Não dá… Seria o roto
    namorando o esfarrapado…

    — Eu sei. Isso eu já entendi muito bem. Mas a verdade é que eu não estou
    conseguindo trabalhar com você por perto. Eu fico muito perturbado. Estou pensando em
    largar esse emprego e vender o carro. Eu quase não uso, porque eu não posso botar
    gasolina…

    — Você vai "comer" o carro, e depois?… Quando o dinheiro do carro
    acabar?

    — Eu não sei. Deixo por conta do destino.

    — Lá vem você com essa coisa de "destino". Dá uma olhada nos
    classificados de empregos dos jornais… Lá está cheio de "destinos"
    empilhados em tijolinhos. "Destino" de desempregado hoje em dia é continuar
    desempregado. Use a sua razão. Não largue o emprego agora. Nós dois podemos ficar
    amigos e logo tudo vai ficar mais fácil pra você. Paixão dá e passa. É como uma
    intoxicação…

    — Sabe, Cláudia, quando a gente está apaixonado e o objeto da paixão está ao
    alcance dos nossos olhos, das nossas mãos, e mesmo assim ele é inacessível, isto
    provoca um sentimento de inferioridade, de impotência, que é uma verdadeira tortura
    psicológica. Tudo o que a gente acredita que é, é colocado em xeque. A pessoa perde o
    respeito e a estima por si mesma. Você começa a se achar repugnante, e acaba por
    encarnar o personagem e a se tornar realmente repugnante. Eu não quero isso pra mim…

    — Eu também não quero isso pra você. Mas tenha um pouco de paciência. Tudo vai
    se ajeitar. Você vai ver. As coisas vão mudar.

    — Como assim?

    — Não sei. Eu só sei que elas vão mudar, e que não vai demorar. É uma
    intuição… As minhas intuições não falham. Tenha paciência. Você promete?

    — Eu vou tentar.

    — Está combinado. Agora eu preciso ir pra casa. Não precisa você me acompanhar.
    Fica mais por aqui, se quiser.

    — Eu vou ficar um pouco mais. Preciso pensar uma coisas.

    — Tchau. Eu adoro você, meu amigo… Nunca se esqueça disso, tá?

    — Como é, Wagner, falou com a moça?

    — Vou falar agora.

    — Manda ela vir e me esperar na recepção.

    — Ô, Ramiro, eu não sei se ela vai querer sair de lá. Ela anda de caso com um
    funcionário novo lá do Processamento. Um tal de Alexandre. Achei que você devia saber
    disso antes…

    — Ah, é? E daí? É muito jovem esse Alexandre?

    — Não. Tem uns trinta e poucos anos.

    — Porra, com trinta e poucos anos e ainda comendo poeira nessa firma, deve ser
    meio retardado o rapaz. O caso dos dois é coisa séria?

    — Não, paquera de trabalho. Nada sério.

    — Bom. E como é que você sabe disso? Quem te contou?

    — Ninguém. Eu tenho olho treinado pra essas coisas. Quem é do ramo percebe logo.

    — Certo. Mas a gente vai dar um jeitinho nisso. Boa bola, Wagner. Aliás, por
    falar em bola, ontem à noite estive numa reunião com a diretoria do Vasco. A gente está
    fazendo um grupo de pressão em cima do nosso presidente, o Calçada, pra ele tirar o
    Roberto Dinamite como técnico do time, o que é que você acha?

    — Acho que está na hora mesmo… Você falou disso pessoalmente com o Calçada?

    — Pessoalmente, claro. Falei: olha o Dinamite já queimou o filme dele.

    — E ele?

    — Ele é político. Se sentir firmeza do pessoal, ele tira.

    — Seria um bolão, hein? Aí muda tudo no time. É isso aí, estou torcendo por
    vocês.

    — Vou te convidar um dia pra uma dessas reuniões. Vou te apresentar ao Calçada.
    Ai você nos dá uma força lá. Você é sócio eleitor do Vasco?

    — Ainda não.

    — Pois nós temos que providenciar isso.

    — Se você conseguir isso, você tem o meu voto de olho fechado.

    — Deixa comigo, Wagner. Agora manda a menina vir aqui. E lembre-se, não faça
    nenhum comentário. E pode fazer cara feia que é bom. Vamos dar um sustinho nela, depois
    um chá de cadeira, e ela entra aqui mansinha…

    — Vou dizer assim: o Doutor Ramiro deseja a sua presença imediatamente na sala
    dele. Se ela perguntar pra quê, eu digo: ele tem uma comunicação a fazer à senhorita.

    — Está ótimo. Ela vai se borrar nas calças… Traz a ficha dela também,
    curiculum, dados pessoais, essas coisas…

    — É pra já.

    — E Dinamite fora! Impeachment nele! Conto contigo lá. Campeão do Brasil ano que
    vem.

    — Pode contar, Ramiro. Você já é o meu candidato pra presidente do Vasco. Vou
    lançar a campanha.

    — Calma, ainda não está na hora. Mas a hora vai chegar… Deixa comigo.

    — Secretária eletrônica. Que saco!… Alô, Alemão. Aqui é o Alexandre. Hoje
    é sexta-feira. São três horas da tarde. Eu estou telefonando do serviço. Tenho que
    falar rápido antes que me peguem no telefone. É o seguinte: eu estou precisando
    conversar com um amigo. Não dá pra você me pagar um chopp hoje à noite? É que eu
    estou duro. Te ligo de novo do orelhão às sete horas, tá? Tchau…

    — Seu nome é Cláudia?

    — Sim senhor.

    — Muito bem, Cláudia. Eu pedi pro Wagner te transferir pro meu setor, porque eu
    estou sobrecarregado aqui. A firma está com algumas dificuldades, e nós estamos
    precisando fazer um remanejamento no quadro de funcionários. Vou precisar que você me
    ajude nisso, por enquanto.

    — Como assim, "remanejamento"?

    — Precisamos fazer algumas demissões. Pode ficar tranqüila que por enquanto
    você não está na lista. Depois eu vou te passar a lista e quero que você calcule os
    dias que a firma deve a cada um, converse com eles, pague e despache. Esse serviço é só
    por uma semana. Enquanto isso eu vou te treinando como contato da empresa com as
    mineradoras. Pra fazer um acompanhamento. São clientes importantes, você sabe… É
    claro que se você se adaptar a esse tipo de tarefa, eu vou providenciar um aumento no seu
    salário, porque a responsabilidade também vai ser maior. Isso é justo.

    — E eu vou começar quando aqui?

    — Agora mesmo. Já começou. Vou pedir pro Wagner providenciar uma mesa aqui pra
    você. Ele já me trouxe a lista do pessoal que vai sair. Você já pode ir calculando os
    valores a pagar. Não se esqueça de descontar as faltas. Toma aqui…

    — Isabel, Henrique, Luís Ferreira, Assis, Alexandre… O Alexandre também?

    — Quem?

    — O Alexandre, o que trabalha comigo lá no Processamento…

    — Bom, se está ai, é porque vai ser demitido também. São onze nomes, se não
    me engano. Algum problema?

    — Não, não senhor…

    — Pois é… Demitir é sempre uma coisa chata… Mas a empresa está inchada.
    Houve muita contratação no meio do ano. Nós avaliamos por cima o número de contratos
    novos. A crise está pior do que nós pensávamos. Agora, o jeito é enxugar o pessoal que
    está sobrando. Eu quero que você fale com eles. O Wagner é muito grosso pra essas
    coisas. Eles podem achar que é alguma coisa pessoal do Wagner e vão querer reclamar
    comigo, e eu não tenho tempo pra esse tipo de conversa. Além disso, a empresa não
    precisa justificar demissões. É pagar e mandar embora. É bom você ir se acostumando.

    — Sim, senhor.

    — E, sabe como é, os outros que ficaram vão passar a te respeitar mais a partir
    de agora.

    — Vão ficar com medo de mim, o senhor quer dizer…

    — Pois é. A vida é assim. Você já deve estar percebendo que eu estou
    preparando você para um futuro cargo de chefia.

    — Mas por que eu?

    — Eu tive boas referências a seu respeito… E simpatizei com você. Bom, quanto
    à questão das mineradoras, eu quero começar logo a instruir você sobre os negócios em
    andamento. Você tem algum compromisso para depois do expediente?

    — Não.

    — Ótimo. Então vamos jantar juntos e eu lhe explico tudo. Vou sair daqui lá
    pelas sete horas. Agora eu preciso trabalhar. Vai analisando esta lista, que eu quero esta
    gente toda na rua na segunda-feira, está certo?

    — Está certo…

    — Então até daqui a pouco, Claudinha.

    — Eu adoro Copacabana! Essa decadência maravilhosa… As melhores e as piores
    pessoas do Brasil vêm viver aqui. Não é uma maravilha? Eu adoro sentar nestes bares da
    Avenida Atlântica e assistir ao movimento dos gringos, das putas, dos malandros, dos
    pivetes, da polícia… Copacabana é celestial!

    — Você já mora aqui há quanto tempo, Alemão?

    — Eu vim pra cá rapazinho… Já estou aqui há mais de quarenta anos. E vou
    morrer aqui, anônimo, no meu apartamento vagabundo, naquele edifício sórdido, sitiado
    pelos bicheiros, pelas putas, pelos bandidos… Vou morrer aqui, no meio da sacanagem
    coletiva que é Copacabana…

    — Posso pedir mais um chopp?

    — Claro! Você disse que precisava falar comigo…

    — Pois é. Não é nada de mais não. É a vida.

    — Porra, com a sua idade, e preocupado com a vida? Ah, se eu fosse um franguinho
    novo como você…

    — Sabe, Alemão, você já me conhece há mais de quinze anos. Pra você, eu não
    mudei. Pra você eu continuo sendo aquele garoto que você conheceu nos anos setenta. Mas
    o tempo passou. E pode parecer estranho, mas eu já não sou nenhum
    "franguinho", daqui a três anos faço quarenta, e a verdade é que nós dois
    estamos envelhecendo juntos. Eu sei que quando eu tiver sessenta anos e você oitenta e
    poucos, você ainda vai estar dizendo: "Ah, se eu fosse um franguinho como
    você…"

    — É, eu acho que vou… Tá bom, garoto. Qual é o problema?

    — Eu levei o fora de uma menina, uma colega de trabalho, e eu acho que eu estou
    apaixonado por ela…

    — Apaixonado! Meu Deus, há quanto tempo eu não ouço esta palavra… Não sabia
    que as pessoas ainda se apaixonavam…

    — Porra, fala sério, Alemão…

    — É sério! … Dá uma olhada aqui em volta… Olha quanta mulher bonita. Olha
    aquela mesa ali, três gatonas. Copacabana tem a maior densidade de mulher bonita por
    metro quadrado, no mundo…

    — Bom, Copacabana tem a maior densidade humana por metro quadrado, no mundo…

    — Mas é diferente. De dia você só vê as velhinhas levando os cachorrinhos para
    passear. Mas de noite o bairro desabrocha. As velhinhas vao ver televisão e as mulheres
    mais gostosas deste país vêm em bandos, em miríades, pra Avenida Atlântica, atrás dos
    gringos e dos otários, ou quem sabe até de algum amor… É um espetáculo bonito de se
    ver…

    — Alemão, eu não quero "miríades" de mulheres para olhar. Eu quero
    uma, uma só mulher pra ficar comigo.

    — Ué, mas você é tão jovem… Arranja uma namorada.

    — E o que eu estou tentando. Mas eu não tenho grana pra ir aos lugares, trabalho
    de manhã à noite, não conheço ninguém, não tenho nenhum grupo social, e nem telefone
    em casa eu tenho… Como é que, nestas condições, eu posso arranjar uma mulher?

    — Ah, agora está explicado por que você anda se apaixonando por coleguinhas de
    trabalho. São as únicas mulheres que você encontra… O coração é vagabundo. Ele
    acaba se abrindo pra quem fica perto… Escuta, você é um cara inteligente, sensível,
    informado… Por que você não vai sozinho aos lugares, aos museus, aos teatros, aos
    bares da moda… Lá você acaba encontrando meninas interessantes…

    — Isso é ilusão sua. Você está por fora. As mulheres que vão a esses lugares
    estão quase sempre acompanhadas, e mesmo quando não estão, só falam com os que são
    apresentados por alguém que elas conheçam. Os outros são transparentes. Hoje em dia, se
    você abordar uma mulher numa mesa de bar para puxar assunto, ela no mínimo vai pensar
    que você é maluco.

    — Não aqui na Avenida Atlântica.

    — Mas aqui só tem puta, Alemão!

    — E qual o problema? São mulheres, como quaisquer outras. Você quer assistir à
    aparição da Virgem Maria?

    — Não é isso…

    — Então! O que não falta aqui é mulher…

    — O que eu ia dizer é que não existe imagem mais deprimente do que um homem
    bebendo sozinho numa mesa de bar. Isso assusta qualquer mulher…

    — Meu amigo, não aqui na Avenida Atlântica. Aqui você só fica sozinho se
    quiser.

    — Tudo bem. Vamos supor que eu concorde com você. Mas onde é que eu vou arranjar
    dinheiro pra pagar os "serviços" de uma puta? Além disso, eu nunca saí com
    putas na minha vida. Acho isso degradante…

    — Degradante é a solidão. É ter boca e não poder beijar. É ficar em casa
    vendo filmes vagabundos na TV e não ter nem coragem de se masturbar porque não tem em
    quem pensar. Degradante é ter sonhos eróticos com a babá do seu sobrinho porque é a
    única mulher jovem e tesuda que ainda conversa com você. É acordar todo doído de
    manhã e não saber por quê. É ir trabalhar frustrado, triste, com o gosto da solidão
    amargando a boca. Isso, pra mim, é que é degradante. O resto é vida. Quanto à falta de
    dinheiro, se você for inteligente, você vai descobrir alguma forma de pagar os
    "serviços" dessas mulheres maravilhosas, que ganham a vida honestamente,
    trocando uma pequena parte do que está sobrando por uma parte grande do que está
    faltando. E elas precisam tanto de carinho, atenção, amor e alegria quanto qualquer
    outra mulher no mundo. Ou você pensa que elas são máquinas de trepar "Made In
    Brazil"?

    — É mais ou menos o que eu penso.

    — Pois está errado!

    — Alemão, eu não consigo me ver como um "cliente". Pra mim, isso é o
    fundo do poço…

    — Ué, mas você é cliente em todas as outras atividades da sua vida… Quando
    não é coisa pior… Qual o problema? Além disso, pra elas você não é cliente, é o
    "Homem". O Homem, entendeu? E de um Homem se espera tudo, até dinheiro… Está
    errado? Eu acho que está certo. E se está errado, está assim desde que o mundo é
    mundo. Uma relação que atravessou intacta dez mil anos de história deve ter alguma boa
    razão para existir… Um mundo sem putas seria um deserto, uma região árida, cheia de
    trabalho e de esposas e maridos se odiando e de garotinhas querendo casar com otários
    ricos e de solidão amarga e de crueldade. Seria um inferno. Um mundo sem sentimento…

    — E tudo por causa das putas?

    — Claro! Por causa das putas! De quem mais?! As nossas putas são as melhores
    putas do mundo!

    — Você não está exagerando um pouco, Alemão?

    — Estou? Então por que você não experimenta o único remédio eficaz que eu
    conheço para dor-de-corno? Exceto o suicídio, é claro, que não é propriamente um
    remédio… Olha só aquela que vem vindo ali. Olha que mulher linda…

    — A de vestido colante?

    — É… Aquela que vem vindo pra cá… de vestidinho branco, todo florido… Olha
    que coxas! Que peitos!

    — Tem o rosto bonito também. Os cabelos fartos.

    — É a morena brasileira! A única obra a quatro mãos de Deus e do diabo! Que
    boca linda! Eu quero dar um beijo nessa boca!

    — Pára, Alemão… Eu morro de vergonha…

    — Que nada! Ela sorriu quando eu falei isso. Quem não gosta de um elogio? Quem
    não quer ser beijada? É por isto que você está sozinho… Você é tímido.

    — Eu não sou tímido…

    — Rapaz, como você é tímido! E eu que não sabia…

    — Você é que é um velho debochado… Vai ficar igual àquele professor do Anjo
    Azul…

    — É isso que eu sou? Muito bem. Que seja. Sou feliz com o meu deboche. O Brasil
    é um grande deboche. Mas e você? O que é? Um intelectual que não cria nada, só
    observa, um espectador sensível e crítico da criação alheia, e que trabalha numa merda
    de uma empresa corrupta e safada, como todas as empresas que ainda não faliram, fazendo
    uma merda de um trabalho escravo e sem sentido, sob as ordens de um imbecil qualquer, para
    ganhar um salário que não paga nem o chopp da puta, o que dizer da própria puta… E
    ainda se apaixona pela mocinha da mesa ao lado, que só deve estar lá para dar uma
    "mordida" no patrão… Vê se cai na real, Alexandre! Você está jogando a sua
    vida pelo ralo… Você é tímido e medroso, e escolheu o cativeiro do escritório porque
    se borra de medo da vida. E depois vem chorar no meu ombro e pedir conselhos…

    — Eu não pedi conselhos…

    — Claro que pediu! A expressão é que é feia… Mas, muito bem! Você me pediu
    conselhos e eu estou lhe dando um de graça: Às putas, meu amigo! Às putas!

    — Você já bebeu demais, Alemão. Eu vou te deixar em casa.

    — Não, me deixe na Prado Júnior, em frente à boate Barbarella, que lá eu me
    arranjo. E você, meu amigo, dirige de volta com cuidado, veste o pijaminha, ligue a TV, e
    não perca o programa de entrevistas desta noite, com o Diretor de Fiscalização da
    Receita Federal respondendo sobre as discrepâncias constitucionais dos novos artigos do
    projeto de Reforma Fiscal. Interessantíssimo! Aquilo sim, é que é pornografia! Deixa eu
    ficar com a minha simples e ingênua pornografia à moda antiga, aquela dos peitos e das
    bundas…

    — Tá legal, eu te deixo na porta da tal Barbarella. Agora paga a conta e vamos,
    tá?

    To be continued.

    This is the first time "Made in Brazil" (the
    original title) is published.

    Júlio César Monteiro Martins, the author, was born in Niterói, in the Greater Rio, in 1955. He
    has published several short-story books:
    Torpalium, Sabe Quem Dançou?,
    A Oeste de Nada, As Forças
    Desarmadas, and Muamba. Monteiro Martins is also the author of three novels:
    Artérias e Becos,
    Bárbara, O Espaço
    Imaginário and a volume of essays: O Livro das
    Diretas. He is one of the founders of the Brazilian Green Party and from
    1992 to 1994 worked as a lawyer for the Brazilian Center in Defense of Children’s Rights. He taught literary
    creation at the Goddard College in the US and is now a professor in Italy, teaching literary creation and Brazilian
    literature in the University of Pisa. He also teaches Literary Creation in Narration in Florence, Lucca, and Pistoia. Martins is the founder of Sagarana School
    (http://www.sagarana.net). You can get in touch with him writing to
    jmontei@tin.it

     

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